Pular para o conteúdo principal

João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

O que escrevo aqui?

Vivi  uma cena inusitada hoje. Fui ao correio enviar uma correspondência. Envelopei, fechei. Já estava tudo endereçado, no envelope. Fiquei um pouco na fila. Aproximou-se um moço e me perguntou onde consegui o envelope. Disse que havia trazido de casa. Disse também que tinha mais um na bolsa, tirei-o e entreguei ao moço. Ele quis pagar, disse a ele que não era nada. Não me agradeceu. Tudo bem!
Continuei na fila aguardando o atendimento. Qual não foi minha surpresa, quando ele se aproximou de mim, ficou ao meu lado, perguntou baixinho “O que escrevo aqui? Onde vai meu nome? Onde vai o endereço para quem vou enviar?”
O envelope que dei a ele, era daqueles brancos, retangulares, com detalhes laranja, na frente, onde estava escrito “Remetente:, espaços quadriculados para o CEP”, no verso o espaço para o endereço do  destinatário, sem nada escrito, somente os quadriculados para o CEP.

O rapaz em questão aparentava ter pouco mais de vinte anos.
Por que conto isto aqui? Porque os jovens têm ao seu dispor tanta informação na internet, no celular, iPad, iPod, i isto e i aquilo. Com tanto informação circulando e eles não sabem coisas, que para nós, com pouco mais de quarenta, aprendíamos na escola e no cotidiano.
Atualmente as pessoas não aprendem coisas básicas, porque acham que não vão precisar. Não sabem endereçar corretamente um envelope, porque nunca aprenderam a escrever cartas, envelopá-las, endereçá-las e postá-las no correio.
Não se aprende mais a preencher cheques, porque existem, nos supermercados, as máquinas que fazem isto. Mas e quando esta máquina não funciona, o que se faz? Chama-se o “frente de caixa” ou outra pessoa qualquer que saiba fazê-lo. Já presenciei esta cena em um grande supermercado. Antes de nós estava um casal passando suas despesas, quando a máquina encrencou ao tentar preencher o cheque. Não adiantou os esforços da moça responsável pelo caixa. A conta dava um valor “quebrado”, algo como um mil e trezentos e quarenta reais e trinta e cinco centavos. Não me lembro o valor exato. O caixa não conseguiu escrever por extenso o valor do cheque!
Nos livros didáticos de Português se ensinava isto no conteúdo da quinta série. Poderia não ter muita lógica ensinar isto para uma criança, mas elas aprendiam a escrever os numerais por extenso e também a utilizar isto na prática, mesmo que fosse uma simulação de uma situação real.

Que mais será que não ensinamos por achar, que o aluno ou nosso filho nunca vai precisar? 

Créditos da imagem: 

Comentários

Lucelena disse…
Esse texto expõe com muita realidade a situação dos jovens nos dias de hoje, nascem com um domínio fora do comum na questão tecnológica, dando importância apenas o que está ao seu redor, mas não se importam com coisas simples que muitas vezes se faz necessário.

Postagens mais visitadas deste blog

A rotina na sala de aula I

Comecei lecionar em 1992, permaneci atuando em sala de aula até o início de 1997. Nesses anos tínhamos, em cada sala, uma parcela de alunos que não queria estudar, que vinham para a escola só para namorar, vagabundear, dizíamos que eles não tinham perspectiva de vida. Desses alunos, muitos ficavam anos e anos se matriculando na mesma série, assistiam alguns meses de aula, se evadiam, retornavam mais tarde para o curso noturno regular ou então para a suplência, por isso o curso noturno sempre foi bastante complicado, parecia que existiam duas escolas diferentes co-existindo em uma só. Anos se passaram, retornei para a sala de aula esse ano, 2010, em uma cidade do interior, mas sabendo que o alunado não seria muito diferente dos alunos de cidades grandes. A situação descrita no início desse texto, mudou muito, e para pior, pois temos agora em sala de aula uma maioria de crianças e adolescentes, que diariamente vão para a escola, porém sem a menor vontade de aprender, de estudar. Isso se...

Possibilidades

Hoje um amigo me perguntou se não estava mais publicando, porque não tem textos recentes no blog. Contei a ele que ontem estava escrevendo um, quando inesperadamente meu computador travou, quando voltou a funcionar... cadê o texto? Sumiu! Não estava de jeito nenhum nos arquivos recuperados. Você pode perguntar, por que não salvou? Por quê? Porque quando estamos escrevendo, planejando, pensando, repensando, as palavras vão fluindo, fluindo e nossos dedos parecem ter uma ligação mágica com nosso cérebro, de tal forma que o pensamento vai tomando forma, vida. Este tomar forma é algo realmente mágico! Iniciamos um texto, podemos ter de início, um plano, uma ideia na cabeça. Quando começamos a escrevê-lo, ele vai nos mostrando a direção para onde quer ir. Neste que você lê, talvez não enxergue esta mágica acontecendo, pois o verá acabado, formatado, concluído, diferentemente dos rascunhos, feitos à mão, dos escritores de outrora, nos quais se via o processo criativo, que se mostrav...

Anúncios de empregos: erros absurdos

Já escrevi um texto falando dos absurdos que lemos diariamente na internet, até mesmo em sites de empresas, que em tese deveriam se preocupar em não cometer erros grosseiros para não manchar a imagem. Hoje lendo alguns anúncios de empregos em um site local, mas que além de anúncios de vagas de empregos, presta outros serviços, vi  um anúncio, no mínimo, curioso! Como você, candidato a uma vaga de emprego, imagina que tenha que entregar seu currículo? Quais as formas para fazer isto? Acredito que possa ser pelo correio tradicional. Você colocaria seu currículo em um envelope, iria até a agência dos correios mais próxima, postaria sua correspondência para a empresa. Outra forma seria dirigir-se até a empresa ou a agência de recursos humanos e entregar o documento pessoalmente. Uma outra forma mais moderna e rápida seria anexar o documento a uma mensagem de e-mail e enviá-la para o endereço eletrônico da empresa contratante. Você conhece mais alguma forma? Eu não, mas ne...