Pular para o conteúdo principal

João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

Algumas palavras sobre leitura

Acabo de assistir uma reportagem no Jornal Nacional, dizendo que um dos quesitos que mais reprovam candidatos a vagas de emprego é justamente a nossa Língua Portuguesa.

Até mesmo universitários dos cursos de Jornalismo escorregam na hora de redigir em Português, mesmo falando inglês fluentemente. Cometem erros de ortografia, entre outros.

Um dos estagiários, que conseguiu emprego, é um leitor assíduo, pois lê no ônibus, no caminho para o trabalho, lê em casa, ou seja, tem o hábito da leitura, que para ele é um prazer.

Este é um dos grandes desafios da escola: tornar a leitura um hábito! Não apenas a leitura cobrada pelo professor, a leitura para estudar, a leitura obrigatória, mas e também, a mais prazerosa, a leitura sem compromisso. Uma das professoras entrevistadas orientou que o futuro leitor pode começar lendo textos sobre assuntos que gosta, por exemplo, se gosta de carros, que leia revistas, matérias de jornal sobre o assunto.

Mas o que dizer daqueles que se negam a ler? Até ano passado, em sala de aula, realizava, no início de minhas aulas, uma leitura de textos indicados pelo material que usava. Nas primeiras aulas até vi resultado, entretanto com o passar das aulas, deixou de ser novidade, eu, teimosa, lia, mas cada vez mais alto, porque não chamava mais atenção. O que chamava a atenção dos adolescentes? Passar batom, se olhar no espelho, ouvir música, conversar com o colega, falar ao celular. Não pensem que o celular era liberado, pelo contrário, seguindo orientações da Direção, há uma lei que proíbe uso de celulares no interior de escolas, pedia o celular, dizia para o aluno que eram as normas da escola, anotava o nome do dono, no horário do intervalo ou saída deixava o objeto com a Diretora ou Vice.

Pelo jeito esta renúncia à leitura, à aprendizagem que ela proporciona não é apenas coisa de adolescentes. Temos no Brasil jovens saídos dos bancos universitários que, na sua trajetória, valorizaram mais o aprendizado de uma língua estrangeira em detrimento da NOSSA Língua Portuguesa. Nossa sim! Esta Língua que falamos, que aportou aqui, vinda de Portugal, nestas terras tupiniquins cresceu e deu frutos, muitos, abriu-se para outros mundos, outras línguas, enriqueceu-se com o francês, o inglês, as línguas afro, ainda continua se enriquecendo, se renovando, se reinventando.

Como sorver tanta inovação, transformação? Lendo. Lendo muito, lendo todos os dias, tal qual criança sapeca, sentada no banco do ônibus, espichando os olhos curiosos para toda palavra escrita: placa, luminoso, outdoor, nome de loja, nome de gente, placa do ônibus, crachá... a lista é infinita.

O homem que criou o microcomputador, atualmente um dos homens mais ricos do mundo tem uma frase muito interessante sobre leitura:

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história.” (Bill Gates)

Comentários

Ivan Leite disse…
Essa resistência a ouvir o professor lendo, sinto nas minhas aulas das 5a.s Séries. Percebo que enquanto leio eles ficam, não todos, alguns, no "mundo da Lua", como dizia minha mãe. Nas aulas de leitura, que é algo mais descontraído, sinto dificuldades em chamar a atenção deles. Acho que deve ser excesso de televisão e vídeo game que chama mais atenção deles.

Postagens mais visitadas deste blog

A rotina na sala de aula I

Comecei lecionar em 1992, permaneci atuando em sala de aula até o início de 1997. Nesses anos tínhamos, em cada sala, uma parcela de alunos que não queria estudar, que vinham para a escola só para namorar, vagabundear, dizíamos que eles não tinham perspectiva de vida. Desses alunos, muitos ficavam anos e anos se matriculando na mesma série, assistiam alguns meses de aula, se evadiam, retornavam mais tarde para o curso noturno regular ou então para a suplência, por isso o curso noturno sempre foi bastante complicado, parecia que existiam duas escolas diferentes co-existindo em uma só. Anos se passaram, retornei para a sala de aula esse ano, 2010, em uma cidade do interior, mas sabendo que o alunado não seria muito diferente dos alunos de cidades grandes. A situação descrita no início desse texto, mudou muito, e para pior, pois temos agora em sala de aula uma maioria de crianças e adolescentes, que diariamente vão para a escola, porém sem a menor vontade de aprender, de estudar. Isso se...

Possibilidades

Hoje um amigo me perguntou se não estava mais publicando, porque não tem textos recentes no blog. Contei a ele que ontem estava escrevendo um, quando inesperadamente meu computador travou, quando voltou a funcionar... cadê o texto? Sumiu! Não estava de jeito nenhum nos arquivos recuperados. Você pode perguntar, por que não salvou? Por quê? Porque quando estamos escrevendo, planejando, pensando, repensando, as palavras vão fluindo, fluindo e nossos dedos parecem ter uma ligação mágica com nosso cérebro, de tal forma que o pensamento vai tomando forma, vida. Este tomar forma é algo realmente mágico! Iniciamos um texto, podemos ter de início, um plano, uma ideia na cabeça. Quando começamos a escrevê-lo, ele vai nos mostrando a direção para onde quer ir. Neste que você lê, talvez não enxergue esta mágica acontecendo, pois o verá acabado, formatado, concluído, diferentemente dos rascunhos, feitos à mão, dos escritores de outrora, nos quais se via o processo criativo, que se mostrav...

Anúncios de empregos: erros absurdos

Já escrevi um texto falando dos absurdos que lemos diariamente na internet, até mesmo em sites de empresas, que em tese deveriam se preocupar em não cometer erros grosseiros para não manchar a imagem. Hoje lendo alguns anúncios de empregos em um site local, mas que além de anúncios de vagas de empregos, presta outros serviços, vi  um anúncio, no mínimo, curioso! Como você, candidato a uma vaga de emprego, imagina que tenha que entregar seu currículo? Quais as formas para fazer isto? Acredito que possa ser pelo correio tradicional. Você colocaria seu currículo em um envelope, iria até a agência dos correios mais próxima, postaria sua correspondência para a empresa. Outra forma seria dirigir-se até a empresa ou a agência de recursos humanos e entregar o documento pessoalmente. Uma outra forma mais moderna e rápida seria anexar o documento a uma mensagem de e-mail e enviá-la para o endereço eletrônico da empresa contratante. Você conhece mais alguma forma? Eu não, mas ne...