domingo, 29 de outubro de 2017

Ditames ou manda quem pode!

Vejo certos organismos internacionais ditando, o que seria bom para a Educação, o que não é mais bom para a Educação. Quando falo em Educação, falamos aqui de Educação pública.
Vamos começar pensando o seguinte: por que será, que mesmo com muita dificuldade, muita gente retira seus filhos da escola pública e os coloca na particular? Ou ainda, mesmo tendo estudado a vida toda em escola pública, estas pessoas, quando pais, não confiam a ela os seus filhos?
Vou falar aqui, com base na escola onde duas sobrinhas minhas estudam, para efeito de comparação.
Nesta escola particular, real, nas turmas do ensino fundamental I (1º ao 5º ano) não têm muitos alunos. Estive, há uns dois anos mais ou menos, na reunião de pais de uma delas. Não havia na sala nem 15 carteiras! Recentemente fiquei sabendo que a turma de 5º ano, está atualmente, com uns 30 alunos.
Não vou citar o Estado, mas em um tido como o mais rico da Federação, as turmas de ensino fundamental I têm 35 alunos, raramente, menos. As turmas de Ensino Fundamental 2 (6º ao 9º) cerca de 40, ainda se pode “expandir o módulo”, ou seja, colocar mais alguns. No Ensino Médio as turmas não são menores...  
Nunca ouvi de minha cunhada, desde que as meninas foram pra escola, desde a educação infantil até agora, a frase “Minha(s) filha(s) não tiveram aula de Português, Matemática ou qualquer outra disciplina hoje.” Ou então “Minhas filhas foram dispensadas da aula hoje porque a maioria dos professores faltou”.
Nesta escola em questão há vários professores, ex-professores da escola pública.
Nunca ouvi também as meninas falarem, por exemplo, situação hipotética, que não acontece nas escolas públicas do Brasil... “Fui ao banheiro e não tinha papel higiênico”, ou ainda, “Hoje estava chovendo, a laje da escola, encheu de água e vazou, tivemos que ter aulas no pátio”. Ou ainda... lembrando, estamos falando de situações hipotéticas, que não acontecem no Brasil... “Não consegui assistir aula direito, porque a carteira onde eu me sentava, está tão ruim, quebrada e não tive mais onde me sentar”.
Por que os pais dos alunos das escolas públicas não reclamam? Reclamam, mas poucos deles. Aqueles que conseguem, tiram os seus filhos das escolas públicas, assim que podem!
Não. Não estou criticando a escola, o Diretor, o Professor!
Quero perguntar aqui. Quem é o chefe, mandatário, dos diretores e dos professores? Um secretário da Educação. Que na maioria das vezes, nem professor é, nem diretor, nem supervisor, nem coordenador... Um político! Um indicado pelo Governador, pelo Prefeito.
Quem decide, em nível estadual, o que será destinado de verba para cada escola? O Diretor? CLARO QUE NÃO! O Professor? CLARO QUE NÃO! Quem decide é o secretário da educação e sua equipe! Decidem com base nas necessidades das escolas? Será? Alguém pergunta a um Diretor do que a escola está precisando? E se perguntasse, após ouvir a resposta, atenderia?
Vocês podem me perguntar: por que os diretores, então, não reclamam? Bom, nas Prefeituras, pelo Brasil afora, eles têm um bom motivo. Qual? Estão no cargo de Diretor de Escola, porque foram indicados por algum político ou são cargos de confiança do prefeito! Não criticariam o prefeito NUNCA, pois se assim o fizessem, teriam o mesmo problema da Maria Antonieta. Lembram-se dela? Aquela personalidade da história francesa, que teve sua cabeça cortada pela guilhotina.
Ah, você pode dizer “Vivemos em uma democracia!”. Será?
Viva em uma cidade do interior, ou converse com professores de escolas municipais ou diretores em pequenas cidades espalhadas pelo interior dos Estados. Faça uma pergunta simples: “Você defenderia suas convicções políticas abertamente em sua cidade? E se defendesse acredita que sofreria algum tipo de represália?”
Por que será que a Educação não melhora? Será por que, nos municípios, 70% dos desvios de recursos públicos (verba, dinheiro) afetam saúde e educação? Veja notícia de dezembro de 2016: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/70-dos-desvios-nas-cidades-afetam-a-saude-e-a-educacao/
Quer mais? Notícia do início do ano de 2016: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2016-01/balanco-da-cgu-mostra-que-foram-desviados-r-2-bilhoes-da-educacao Nesta o desvio ocorreu na merenda! Conforme balanço da Controladoria Geral da União.
Se você, leitor, fizer uma pesquisa no Google usando a diretiva “desvios de verbas da Educação” verá que é uma lista enorme, de vários anos...

Este ano vemos diversos governantes, desde o Federal, até os prefeitos repetem, como um mantra, que “têm que cortar recursos da Educação por conta da crise!” Sim! Existe uma crise. Não de falta de recursos. Mas de mal uso de recursos! Eu estou dizendo? Não. A CGU, a mídia!

domingo, 22 de outubro de 2017

Inclusão digital e analfabetismo funcional. Haverá inclusão?

Uma certa secretaria resolveu fazer uma inscrição para contratação de profissionais. Algo simples. Deveria ser simples! Esta instituição resolveu inovar e criar um cadastro totalmente “on line”, onde os candidatos fariam todo o processo de inscrição de forma digital.
Muito simples!
Os responsáveis pela área de informática e sistemas, se reuniu, elaboraram o sistema a ser usado com riqueza de detalhes: formulários para preenchimento das informações pelo candidato; recursos para upload de arquivos .pdf, .jpg, .bmp entre outros. Pensaram em tudo!
Sim, jovens cabeças pensantes! Conhecem tudo de internet, formulários on line, entre outros recursos mais sofisticados da informática.
Foram enviadas informações, comunicados às instituições subalternas, para que acompanhassem o processo e o divulgassem. Tudo resolvido, pensaram, pois imaginaram que a inclusão digital tivesse ocorrido em 100% da população, ou na maioria dela. Dentro desta maioria estariam os jovens saídos das universidades, faculdades presenciais e EAD.
Com o que as cabeças pensantes do referido órgão não contavam?
Não pensaram que:
- uma grande quantidade de jovens saem das escolas, concluem o ensino médio, e até mesmo a faculdade, ainda continuam com nível de alfabetização básico ou são analfabetos funcionais.
Este dado não é recente! Existem muitas pesquisas, que tratam dos níveis de alfabetização da população. Uma delas disponibilizada pela UOL em 2016, realizada pelo Instituto Paulo Montenegro, traz muitas informações a respeito da alfabetização no mundo do trabalho.
Na manchete do site já traziam a informação alarmante, que era melhor explicada no primeiro parágrafo:
“...apenas 8% das pessoas em idade de trabalhar são consideradas plenamente capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Ou seja, oito a cada grupo de cem indivíduos da população.”
Na pesquisa citada realizada pelo Instituto, temos algumas informações a respeito da alfabetização nos diversos níveis:
Sobre o nível de alfabetismo por escolaridade, o estudo destaca os seguintes pontos:
·         Entre as pessoas que não frequentaram a escola ou têm no máximo quatro anos de escolaridade, mais de dois terços (68%) permanecem nos níveis do Analfabetismo Funcional, com 49% chegando ao nível Rudimentar. O nível Elementar é alcançado por 27% deste segmento; 4% chegam ao Intermediário e 1% atinge o nível Proficiente.
·          A maior parte dos indivíduos que ingressaram ou concluíram o segundo ciclo do ensino fundamental atinge o nível Elementar de alfabetismo (53%). Vale notar, no entanto, que mais de um terço das pessoas com essa escolaridade (34%) podem ser classificadas como Analfabetas Funcionais.
·         Entre as pessoas que cursaram até o ensino médio, registramos que 48% estão no nível Elementar, 31% no Intermediário e apenas 9% demonstraram o domínio pleno nas habilidades de leitura, escrita e matemática.
·         A maioria de quem chegou ou concluiu o superior permanece nos níveis Elementar (32%) e Intermediário (42%). Somente 22% situam-se no nível pleno de alfabetismo.”

Perguntamos se esta massa enorme de pessoas que saiu do Ensino Superior nas condições acima descritas, no que tange à leitura e escrita, será que estão plenamente alfabetizados nas tecnologias digitais?
O que ocorreu então com a tal inscrição realizada por esta secretaria? Não ocorreu como imaginaram, claro!
Alguns problemas que ocorreram:
- os candidatos não conseguiram preencher totalmente o questionário ou o preencheram de forma equivocada. Quer um exemplo? Onde se solicitavam informações do perfil do candidato, um deles, pôs uma foto. Será que foi uma piadinha?
- os candidatos necessitavam fazer o upload de alguns documentos, para tanto precisariam escaneá-los ou fotografá-los e carregá-los no site. Como se tratavam de documentos, que seriam conferidos, deveriam colocar frente e verso. Que fizeram? Carregaram partes dos documentos. Carregaram só a frente. Carregaram uma página do documento e não as outras duas ou três.
- não leram as orientações para realizarem todo o processo de inscrição e não retornaram ao site para ver se a inscrição tinha sido deferida ou indeferida e perderam, no primeiro momento, o prazo.
Não sou especialista em informática, mas há bastante tempo, quando eram introduzidos os computadores nas escolas, nos anos 90, tivemos uma aula, na qual nos mostraram como eram elaborados os programas, que eram utilizados fluxogramas, visando prever problemas, corrigi-los antes de acontecerem.
Em educação atualmente se fala em “fazer um PDCA”. Sigla em Inglês de Plan, Do, Check, Act ou Adjust. Este termo é muito utilizado nas empresas privadas. Foi importado para a educação!

Agora pergunto: estas jovens cabeças pensantes, que pensaram no sistema para fazer tal inscrição, fizeram o “ciclo PDCA”? Planejaram? Fizeram? Checaram? Agiram ou Ajustaram? 

Será que estas pessoas fizeram o que faz um professor ao planejar sua aula?
- Fazem um diagnóstico da sala;
- Verificam os conhecimentos prévios de seus alunos (conhecimento que já trazem)?
- Replanejam suas aulas em função destes conhecimentos prévios;
- Mudam o vocabulário em sala de aula, de acordo com nível dos alunos.
Em português, quando vamos escrever, pensamos no nosso leitor virtual, ou seja, uma pessoa real, que não conhecemos, não vemos, mas que lerá nosso texto, poderá encontrar dificuldades durante a leitura se utilizarmos palavras muito difíceis.
E o ciclo PDCA?
Façam o que digo. Não façam o que eu faço!

Referência da imagem:

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Comerciante se descontrola com cliente. Pode?

Hoje tive uma péssima experiência no comércio da cidade, onde moro. Não uma ruim, por exemplo, de ser mal atendida. Não! Muito pior!
Há cerca de dois meses meu notebook estava com problemas técnicos. Não carregava a bateria. Dirigi-me até uma loja de rua, onde meu marido, acho que até eu já havia comprado antes.
Neste primeiro momento, de compra, fui super bem atendida. Com sorriso aberto. Com explicações sobre o produto, que teria que ser encomendado. Que a empresa que fabrica seria a mesma fabricante das baterias originais, que vêm nos equipamentos novos. O comerciante em questão me explicou ainda, que a bateria tinha três meses de garantia e que, em caso de troca, só bastava levar a bateria e a nota fiscal. Após a compra não me entregaram a nota fiscal em mãos. Enviaram-na por mensagem a nota fiscal eletrônica.
Preciso registrar aqui que a mesma bateria na internet custava cento e cinquenta reais, algumas mais caras.
Na loja de rua, buscando segurança, em caso de problemas, busquei o comércio de rua!
Após dois meses e alguns testes, verifiquei que a bateria nova também não estava segurando a carga. Ela carregava até 100%, mas ao desligar o equipamento, deixá-lo sem uso, tentar retomar o uso no dia seguinte... SURPRESA! Nem ligava! Como uso pouco o equipamento, fui testando, antes de me dirigir à loja.
Fui até a loja com a bateria na embalagem original para realizar a troca. Fiz questão de falar com o dono, que foi quem me vendeu a bateria.
Relatei a ele o problema, por mais de  uma vez. Depois do relato ele me perguntou seu eu havia trazido o notebook. Respondi que não. Que se fosse fazer isto, iria fazer um backup de meus arquivos.
Após esta fala minha o “senhor” começou a falar alto comigo, esbravejar, gesticulando muito e dizendo olhando pra mim “Recebe a bateria. Vou inventar um problema para pôr no relatório!”
Neste momento estávamos na loja, eu e ele e uma jovem (caixa). Após os gritos surgiu de outra sala uma mulher, que o afastou. Ela fez uns gestos pra ele. O nervosinho saiu e foi para uma sala próxima.
A moça do caixa recebeu a bateria para troca, preencheu um “romaneio”, me deu uma cópia. Expliquei a ela que, como consumidora, tinha uma história, que já havia tido problemas em outras lojas. Isto após a moça me falar, que eu estava desconfiando da loja, que eles eram uma empresa séria. Respondi, que não estava desconfiando de ninguém, mas me precavendo, pois tenho muitos arquivos no equipamento.
Após esta conversa, o proprietário apareceu, na porta da sala, falei pra ele, que não era nada disso.
Este homem teve sorte, que eu não estava na TPM, nem brava, como fico neste tipo de questão!
Não cito o nome da loja, em respeito às outras pessoas, que trabalham lá e que foram atenciosas comigo.
Se houvesse mais algum cliente na loja e este homem tivesse feito eu passar um vexame, como fez, na frente de outros clientes iria direto para uma Delegacia de Polícia. Perderia parte de meu dia de trabalho, mas não deixaria assim.
Uma coisa posso garantir: não indico esta loja para ninguém!
Este indivíduo precisa aprender regras básicas de atendimento ao público:
- cordialidade;
- educação;
- respeito ao consumidor;
- respeito ao Código de Defesa do Consumidor.
Outra coisa. Cliente satisfeito fala bem da loja para no mínimo 10 pessoas. Cliente insatisfeito fala da loja para mais de 20 pessoas!

Mais uma dica?






Fonte da imagem: https://br.pinterest.com/pin/645844402786827820/visual-search/?x=14&y=14&w=451&h=451

sábado, 7 de outubro de 2017

Analfabeto digital e a curiosidade

Fico pensando em como tem gente analfabeto digital. Muitas vezes este tipo de analfabeto tem inúmeros conhecimentos de outros assuntos, curso superior, mestrado, entre outros, mas em questões relacionadas à tecnologia é praticamente um ignorante.
Querem ver um exemplo disto?
Pensem em uma sala de audiência, onde se encontram várias pessoas da área jurídica. Entre eles, claro, advogados, e outros envolvidos no processo.
Quem está depondo, fica também atento ao que ocorre ao seu redor, ainda mais se a pessoa em questão for observadora, inteligente e bastante conhecedor de informática.
À medida que vai depondo, sobre uma questão ligada à assédio, ouve o “digitador”, perguntar ao advogado, porque o computador não reconhece o termo “assediando”. Por que o computador deixa a palavra sublinhada de vermelho?
Discutem os prováveis motivos. Pode ser que a palavra não exista!
Até que alguém sugere “Se não existe, melhor usar só assédio mesmo”.
Será que estas criaturas, que usam o computador diariamente nunca tiveram a curiosidade de descobrir, por que isto ocorre? Será que nunca clicaram com o botão direito do mouse sobre a palavra em questão e tentaram adicioná-la ao dicionário do equipamento? Será que nunca buscaram uma gramática para descobrir se há o referido termo ou não?
Isto me assusta ao ver pessoas “da lei”, que leem tantos livros, que usam uma verborragia legal nos discursos diante de leigos, não saberem coisas básicas sobre a nossa Língua?
Além de não terem a menor curiosidade com a língua materna, não possuem curiosidade para conhecer melhor o equipamento, que usam diariamente? Não precisa se transformar em um conhecedor profundo dos assuntos informáticos e seus meandros!
Não sou especialista em informática. Não fiz muitos cursos, mas o básico que aprendi há cerca de 17 anos, mais a minha inteligência, minha curiosidade e vontade de aprender, me fizeram continuar aprendendo a usar o equipamento, resolver questões básicas sem ter que chamar outros a toda hora para me ajudar. Aliás ajudo outros nestas questões!
Se temos advogados e outros desta área sem esta curiosidade de melhorar a utilização de um equipamento de seu cotidiano, será que sua curiosidade em pesquisar os assuntos da área jurídica existe? Será que são pesquisadores de sua área? Será que quando recebem um processo para analisar o fazem com seriedade e curiosidade científica? Será que o fazem com ética e neutralidade? Será que não se deixam influenciar pelo “ser invisível”, o Estado, que está a processar um funcionário com mãos de ferro e apetite voraz de um leão faminto?
Como estamos falando também de curiosidade e vontade de pesquisar, aprender, deixo algumas frases para refletirmos sobre isto:
“A curiosidade é mais importante que o conhecimento.” (Albert Einstein)
“Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino” (Paulo Freire)


Postagem em destaque

O QUE FAZ UM SUPERVISOR DE ENSINO?

Recentemente após certa postagem no facebook, duas respostas em tom de gracejo, me deixaram extremamente irritada! Ambas davam a entende...

Você também poderá gostar de...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...