Pular para o conteúdo principal

João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

RETROSPECTIVA DO BLOG

Criado com o Padlet

Férias, fotografias, reflexões

 

Aproveitamos as férias para fazer uma viagem curta e curtir outro estado, outros ares, outras paisagens, rever pessoas queridas.

Aproveitei também para fotografar um pouco, coisa que gostava muito de fazer, mas a pandemia, o isolamento forçado, me fizeram abandonar este hobby e até mesmo procrastinar todo planejamento de fazê-lo.

Aqui colocarei algumas fotos da zona rural, cenas comuns para quem reside na região, mas que para mim, ao sair sozinha pelas estradinhas de terra bucólicas, oxigenaram, ao menos um pouco, meu cérebro e refrigeraram um pouco meu interior.

Estivemos no sul de Minas Gerais. Muita seca, segundo um morador estavam há cerca de três meses sem chuvas e isto aparece nas fotos, no mato seco, nos caminhos empoeirados e amarelados, nos vestígios das queimadas intencionais ou não na paisagem serrana.

A região, uma das cidades, está sendo muito alterada com a vinda, há alguns anos, de uma mineradora, que começa a mudar a paisagem, devido ao tipo de atividade realizada, bem como pelos empregos gerados, que trazem um afluxo grande de pessoas, que precisam morar, comer, vestir, ou seja, consumir. Com este aumento de pessoas também vem a reboque o aumento da violência.

Nas fotos da zona rural podemos notar que, apesar de estarmos em agosto, as flores de são joão estão em sua plenitude nas cercas de arame farpado ou nas árvores.

O silêncio da paisagem rural e suas nuances de cores, texturas, plantações diversificadas, terra em diferentes fases: recém plantadas, recém aradas, cobertas de trigo, café, sorgo, milho e outras culturas, poucas casas devido à mecanização, que empurra as pessoas para outras atividades e em uma propriedade grande, muitas vezes, uma única família trabalha ou é arrendada para famílias, que nem moram na propriedade arrendada.

Mesmo com grandes áreas utilizadas para pasto, café, ou outras atividades rurais, ainda encontramos alguns pássaros, que nos chamam a atenção, mas que não se deixam fotografar sem muito empenho e paciência. Não vi muitos, nas poucas caminhadas que fiz. Nem ouvi muito o canto deles.

Curiosidade da área rural, talvez estranha para moradores urbanos e sem contato com ela, são os mata-burros. Você sabe o que são e para que são utilizados?

Os mata burros, vide imagem abaixo, são comuns nas propriedades rurais. Como o próprio nome já indica, estes artefatos eram utilizados para impedir os burros, cavalos, vacas de saírem pela porteira da propriedade, caso ela ficasse aberta ou na inexistência dela. Atualmente eles são utilizados para demarcar a entrada de uma propriedade e a divisa entre propriedades de diferentes proprietários.

Uma cena bem comum vista por nós foram as queimadas. Vimos queimadas próximas às rodovias, mais de uma vez, talvez fruto de descuido de algum motorista fumante, ou talvez ato intencional de algum proprietário, que desejasse “limpar” o mato, assim causando um mal maior à todos, pois gera muita fumaça, fuligem, empobrecimento do solo, pode atingir outras áreas e ficar incontrolável, assim atingindo animais silvestres, pessoas.

Tentei fotografar pássaros, mas não vi muitos, apesar de ter saído pouco para esta finalidade, pois dediquei meu tempo também a conversar, ouvir, atualizar notícias dos amigos e parentes. Consegui fotografar um casal de um pássaro parecido com o tapicuru e uns anus brancos. Fui pesquisar e descobri que a ave que fotografei se trata de curicaca-real, apelidada de despertador do pantanal, devido ao grito alto que ela emite.

Os anus brancos são aves curiosas, pois possuem um topete, que fica o tempo todo eriçado e olhos assustados, penas claras. São bem barulhentos e costumam ficar em bandos pequenos. São aves comuns nas áreas rurais.

E as estradas rurais? Tem as cercas floridas. As curvas rodeadas de matas, plantações diversas, pasto. Pode-se avistar árvores solitárias em meio à pastagem, que deixa a cena chamativa, devido ao formato e tamanho da árvore.

As poucas casas ao longe em meio à terra nua, amarela, à poeira das grandes máquinas colheitadeiras ou aos ônibus, que transportam trabalhadores.

As árvores tão características do cerrado, retorcidas, cascas grossas, como se tivessem sido esculpidas por cinzéis divinos, cujos galhos se dividem e deixam enxergar o azul do céu, por vezes, avermelhado e por outras cinzento e embaçado.

Andando pelas estradinhas rurais com terra amarela, tal qual o salitre, fina, que gruda na pele e nas partes mais escondidas dos veículos, deixando-os com rangidos, secos, a gente se depara com o cafezal com botões dormentes esperando a chuva para se abrirem em lindas, delicadas, brancas e cheirosas flores, que cobrem toda a plantação. Os pés de café todos, ou boa parte deles, cobertos de poeira.

No quintal as galinhas, galos, gatos andam pra lá e pra cá. Se escondem, dormem embaixo dos pés de café, das árvores, sobre os carros, nas varandas. Ouvem-se os cocoricós das galinhas ao botarem seus ovos. Avisam que tem ovo novo e a dona vai verificar onde estão, porque tem galináceos, que correm para quebrar os ovos e comer ou se apropriar deles para chocar.

Na estradinha rural as madeiras da ponte recém construída e novamente levada pelas águas do silencioso e estreito córrego continuam lá, aguardando a prefeitura tomar providências e refazer a ponte, que liga os moradores ao povoado mais próximo, onde tem posto de gasolina e laticínio, além dos moradores, que se conhecem e, por vezes, se ajudam, trocam produtos, alugam maquinários.

Andar, dirigir por Minas Gerais é se encantar com os inúmeros ipês amarelos em flor nas margens das rodovias ou em meio às plantações, onde ficam como ilhas amarelas ou avistar uma árvore belíssima de flores “cor de abóbora” ou cor de “coral” também cobertas de lindas e chamativas flores, que colorem as margens das rodovias e sequestram nosso olhar e causam um espanto gostoso com tanta beleza em meio ao verde triste da seca ou às margens do asfalto, das rochas esbranquiçadas, negras, avermelhadas, amareladas... É o mulungu! Árvore brasileira, comum em Minas Gerais, usada no paisagismo, para recuperação de áreas degradadas e utilizada também como remédio. Já coloquei na minha lista para procurar mudas ou sementes para comprar e plantar!

E você quais as imagens, que trouxe da sua viagem de férias? O que aprendeu? O que viveu?

Para saber mais:

- sobre o curicaca-real – pesquisar no site wikiaves;

- sobre o mulungu – há diversos sites, que falam sobre esta árvore e suas variedades.


Algumas fotos da viagem, que ilustram um pouco do que vi em terras mineiras. 


















 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dicas sobre provas para eliminação de matérias e ENCCEJA E ENEM

Escrevi uma postagem com dicas para concurseiros de primeira viagem, mas analisando os atendimentos diários que faço no meu trabalho, pensei em escrever outro(s) texto(s) com dicas ou orientações sobre outros assuntos, pois mesmo com tanta informação disponível, as pessoas continuam sem conhecimentos básicos, que podem ajudá-las a resolver problemas simples do seu cotidiano, que vão desde onde procurar a informação, como também onde cobrar seus direitos. Para começar esta série de textos, vou falar um pouco das provas para eliminação de matérias. As pessoas buscam muito este tipo de avaliação, na qual, desde que atinjam as médias, eliminam todo o ensino fundamental ou todo o ensino médio. Para quem pretende eliminar o ensino fundamental - Ciclo II (antigo ginásio, 5ª a 8ª série, 6º ao 9º ano atualmente) poderá fazê-lo por meio do Encceja, que é uma avaliação de eliminação de matérias, ou seja, o candidato pode ir eliminando áreas (Linguagens e Códigos, Ciências da Nat...

Minha vivência com o alzheimer de minha mãe

  Vivenciamos, não todos, na família a demência/Alzheimer de minha mãe. Eu, meu marido, e um dos irmãos diariamente. Os demais o sabem, presenciam nas visitas, maiores detalhes ficam sabendo por mim, meu marido, o irmão, que mora com minha mãe. Apesar de, no início da doença, bem como nos acompanhamentos regulares com a neurologista particular fui alertada que, mesmo medicada, a doença progrediria, talvez mais lentamente devido aos remédios, mas avançaria mesmo assim. Assim está acontecendo! Até uns dois anos a memória dela estava bem melhor, mas a idade é implacável! Os neurônios estão morrendo! Com eles está indo a memória dela, a recente, mas agora também as memórias passadas. O que sobrou, por enquanto, são as memórias do passado muito distante, da infância, adolescência, juventude, porém poucas, cujas histórias já nos eram bem conhecidas, agora são repetidas diariamente. Ontem ela esteve em casa, conversou comigo, foi para a cozinha conversar e ficar com meu marido, qu...

Corações gélidos!

  Aos governantes por aí, que acreditam que em qualquer época do ano, a frequência do alunado DEVE SER perto dos 100%... Caros senhores, aqui quem vos fala é alguém que se encontra com os pés, cabeça e o coração no chão da escola, que mesmo, em anos anteriores, atuando em outras funções na educação pública, nunca deixou de ter um contato frequente e regular com unidades escolares muito diversas entre si. Dito isto, vou   abordar aqui quem são os alunos da escola pública. Temos uma clientela bem variada, desde alunos de classe média até alunos menos favorecidos financeiramente. Vou falar destes últimos! Vou falar deles, porque eles, assim como eu, sabemos o que é passar muito frio! O que é ter que acender uma tampa de tambor de ferro no chão da cozinha para fazer uma fogueira e se aquecer nas madrugadas gélidas do sul do País, para só depois poder ir para a cama e tentar dormir. Também sei o que é só ter uma coberta e precisar enrolar os pés com jornal e colocá-los dent...