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João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

Arquitetamos sonhos

Muitas vezes andei por aquela rua. Indo para o trabalho. Visualizando a subida íngreme, mas que tinha dois quarteirões. Quantas vezes andei por ela indo visitar parentes, que nela moravam.
Um dia meus olhos avistaram um terreno, cheio de mato, próximo a outras casas. Nele havia uma placa. Uma imobiliária anunciava sua venda. De um comentário como esposo, surgiu o interesse. A venda para o primeiro comprador não saiu. Ficamos à espera.
Ali removemos muita terra. Setenta caminhões. Dali saíram muitos ratos, que lá habitavam há muito tempo. Após a limpeza necessária, os tapumes colocados. Começamos a levantar nosso sonho. Primeiro em nossas mentes. Mais tarde uma arquiteta, amiga nossa, materializou-o usando o AUTOCAD. Estava ali. Diante de nós o sonho desenhado com detalhes, medidas e proporções.
O tempo passou. Economia. Muita economia. Salário de professor, pagando aluguel. Fomos erguendo o sonho, tijolo por tijolo. Percalços, muitos no caminho. Pedreiro sem compromisso, desonesto. Obra inacabada. Mudança apressada. Garagem sem portão. Tapumes vedavam nosso lugar dos olhares indiscretos. Escuridão. Mudamos. Nossa casa. Nossa primeira casa. Sem varanda. Uma porta para o nada. A janela para o mundo.
Muita luta. Muitas prestações depois. Muitas idas ao depósito de materiais de construção depois. Trabalhos extras nas férias para o marido. Economia, muita economia em casa. Sem saídas para o lazer. Sem roupas novas e novos calçados. Sem a pizza tão desejada. Amigos ajudaram. Mutirão para encher as lajes. Churrasco para alegrar os amigos, parentes e demais, ex-alunos, vizinhos, todos eram bem vindos. Uma laje. Duas lajes.
Pausa para recuperar as forças, recuperar as finanças. Sonho ali, inacabado. Mais um sonho um lar bonito, novo, confortável para mãe e irmãos. Mais tempo se passou.
Mais pedreiros, mais tempo, mais dinheiro. Mais luta. Muita luta. Mais trabalho nas férias do marido para ganhar um extra. Mais um lance da enorme escada. Muitas viagens pelas cidades da grande região. Livros entregues. Divulgação.
Mais tempo se passou e a continuidade de nosso sonho. A entrada da luz. Uma mão, duas mãos, um grande irmão. Energia? Fiação? Quem vai passar? Marido, irmão caçula, amigo-irmão, o Marcão.
Enfim chegou o dia. Alguns detalhes faltavam. Tomadas? Muitas? Colocadas? Somente as necessárias. Mudança. Mãe e irmãos caçulas no seu novo lar. Pai? Tinha sido convocado por Deus. Profetizou “Não, não vou morar nesta casa. A 2000 chegarei, de 2000 não passarei.”

Quantas lembranças... Tempos duros, mas de realizações. Só de escrever este texto, relembrar alguns anos de vida, um filme se projeta em minha frente. Lágrimas nos olhos. Coração feliz! Realizamos nosso sonho. Contribuímos para realizar outros sonhos, sonhos de mãe e irmãos. 

Comentários

Lucelena disse…
História de muitos, realmente, um texto lindo!!!
catléia disse…
Lucelena, obrigada pelo seu comentário. Que bom que gostou!

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