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João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

Olhares singulares

Tenho tirado muitas fotos por onde vou. Seja no cotidiano, seja viajando em férias, aos finais de semana. Registro o que vejo, o que acho que vejo, o que sinto.
Nestes registros, mostro paisagens, casas, igrejas, ruas, prédios, animais, entre eles, o bicho homem. Nele, em especial, tento captar sua essência, ou o que ele deixa ver nos gestos, no olhar.
O olhar me impressiona muito. Seja quando vejo rostos que não conheço na TV, ou rostos conhecidos, ou vistos pela primeira vez. Sempre os olhos me embriagam, pois fico contemplando o formato dos olhos, a cor, o jeito de olhar. Alguns têm um brilho especial, uma ternura, uma bondade refletida no olhar calmo, nos gestos brandos, nas palavras amenas.
Há alguns anos, em visita a um tio no Paraná, tirei uma das últimas fotos dele, senão a última. Pedi para tirar uma foto dele. Ele estava sentado em um sofá, conversando. Quando disse que ia tirar uma foto, ele se virou, sem se levantar, olhou diretamente para a câmera. Quando retornei para casa, dias depois, comentei com minha mãe que havia tirado esta foto, que o olhar dele havia me intrigado muito, que ele parecia “olhar para outro lado”, que ele parecia estar vendo além da foto, além deste mundo. Meses depois ele morreu!
Não sei se foi coincidência, mas fiquei muito chocada com isto.
Os olhos nos mostram o mundo, assim que os abrimos, quando nascemos. De início um mundo meio turvo, sem formas muito definidas, sem cores muito nítidas. Neste momento, segundo estudos, o bebê enxerga o que vê a curta distância, a distância entre o seio da mãe e o rosto dela.
O que será que os outros enxergam nos nossos olhos? O que expressamos pelo nosso olhar?
Será a ternura, carinho, aconchego, bondade? Ou ao contrário, expressamos raiva, rancor, tristeza?
Seja o que for, certas coisas nunca saberemos. Mas observe ao seu redor. Observe os olhares. Veja a expressividade deles, a singularidade e a marca de cada pessoa, que cruza por você nas ruas da cidade.

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