Pular para o conteúdo principal

João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

Os ipês e o espetáculo da vida


Você já parou para observar as árvores? Quando eu morava em uma cidade grande, próxima à capital do Estado de São Paulo, observava as poucas que haviam nos bairros onde eu circulava. O bairro onde morava, minha antiga rua, curta de dois quarteirões, calçadas estreitas, irregulares, sem espaço para árvores, pois atrapalhariam as garagens. Uma vez tivemos em uma casa vizinha, um pequeno pé de ipê amarelo, que se erguia teimoso, naquele pedacinho de terra, onde estava plantado. Subiu fininho, deu suas folhas verdes, um dia suas belas flores amarelas, deixaram-no dourado, vistoso. Não durou muito! Ele não existe mais! Somente uma foto dele restou, assim, jovem, mas acreditando na vida, vestido de amarelo pulsante.
Aqui onde moro atualmente observo mais as árvores, que ainda são bastantes espalhadas pela cidade. Aqui também há ipês de muitas cores: amarelo, rosa, roxo, branco.  Observo muito os ciclos destas árvores. Durante o verão elas se cobrem de verde, que cobre sua copa, disfarça seus galhos tortos, típicos de plantas do cerrado, que sofrem pelos longos períodos de seca. Quando suas folhas caem, estes longos galhos escuros, parecem mortos, sem vida. Assim ficam por um tempo... esquecidos, feiosos, nada atraentes. Passa-se o tempo, as primeiras flores aparecem, pintando de rosa os galhos secos. O rosa vai se misturando ao marrom, aos poucos cobrindo-o, mostrando a força da beleza da cor, a força da natureza que adormecia, aguardando o momento certo para se mostrar.
Estamos vendo, nem todos, este começo de metamorfose dos ipês espalhados pelas ruas. Primeiro florescem os ipês rosas com sua delicadeza, cor amada pelas mulheres, meninas.
Depois de doarem a todos os homens e mulheres sua beleza, sua cor, sua exuberância, cumprem o seu ciclo vital, as flores caem, cobrem o chão, formando um tapete para os pedestres, tingem de rosa o duro e frio concreto, cimento, cinza.
Mas ei que surgem pela cidade outros irmãos ipês, os amarelos ou os roxos ou os brancos para assumirem o palco, para representarem seu papel, para presentearem todos nós com suas flores, com sua beleza.
Que não passemos taciturnos pelos espetáculos diários da vida! 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A rotina na sala de aula I

Comecei lecionar em 1992, permaneci atuando em sala de aula até o início de 1997. Nesses anos tínhamos, em cada sala, uma parcela de alunos que não queria estudar, que vinham para a escola só para namorar, vagabundear, dizíamos que eles não tinham perspectiva de vida. Desses alunos, muitos ficavam anos e anos se matriculando na mesma série, assistiam alguns meses de aula, se evadiam, retornavam mais tarde para o curso noturno regular ou então para a suplência, por isso o curso noturno sempre foi bastante complicado, parecia que existiam duas escolas diferentes co-existindo em uma só. Anos se passaram, retornei para a sala de aula esse ano, 2010, em uma cidade do interior, mas sabendo que o alunado não seria muito diferente dos alunos de cidades grandes. A situação descrita no início desse texto, mudou muito, e para pior, pois temos agora em sala de aula uma maioria de crianças e adolescentes, que diariamente vão para a escola, porém sem a menor vontade de aprender, de estudar. Isso se...

Possibilidades

Hoje um amigo me perguntou se não estava mais publicando, porque não tem textos recentes no blog. Contei a ele que ontem estava escrevendo um, quando inesperadamente meu computador travou, quando voltou a funcionar... cadê o texto? Sumiu! Não estava de jeito nenhum nos arquivos recuperados. Você pode perguntar, por que não salvou? Por quê? Porque quando estamos escrevendo, planejando, pensando, repensando, as palavras vão fluindo, fluindo e nossos dedos parecem ter uma ligação mágica com nosso cérebro, de tal forma que o pensamento vai tomando forma, vida. Este tomar forma é algo realmente mágico! Iniciamos um texto, podemos ter de início, um plano, uma ideia na cabeça. Quando começamos a escrevê-lo, ele vai nos mostrando a direção para onde quer ir. Neste que você lê, talvez não enxergue esta mágica acontecendo, pois o verá acabado, formatado, concluído, diferentemente dos rascunhos, feitos à mão, dos escritores de outrora, nos quais se via o processo criativo, que se mostrav...

Anúncios de empregos: erros absurdos

Já escrevi um texto falando dos absurdos que lemos diariamente na internet, até mesmo em sites de empresas, que em tese deveriam se preocupar em não cometer erros grosseiros para não manchar a imagem. Hoje lendo alguns anúncios de empregos em um site local, mas que além de anúncios de vagas de empregos, presta outros serviços, vi  um anúncio, no mínimo, curioso! Como você, candidato a uma vaga de emprego, imagina que tenha que entregar seu currículo? Quais as formas para fazer isto? Acredito que possa ser pelo correio tradicional. Você colocaria seu currículo em um envelope, iria até a agência dos correios mais próxima, postaria sua correspondência para a empresa. Outra forma seria dirigir-se até a empresa ou a agência de recursos humanos e entregar o documento pessoalmente. Uma outra forma mais moderna e rápida seria anexar o documento a uma mensagem de e-mail e enviá-la para o endereço eletrônico da empresa contratante. Você conhece mais alguma forma? Eu não, mas ne...