Pular para o conteúdo principal

João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

Bebê abandonado e o Professor


Ontem assisti uma reportagem, mais uma, que mostra a falta de sentimentos, humanidade, amor de algumas mães do nosso País. 

Uma mulher, cuja ação foi filmada por uma câmera de segurança de algum prédio, aparece carregando algo, aproxima-se de uma caçamba cheia de lixo e entulhos, olha bem, acha um lugar, de costas para a câmera deixa o seu embrulho, o seu lixo, o seu entulho e vai embora, levando um pano nas costas, sai sem a menor pressa, sem (aparentemente) a menor culpa.
Em seguida, aparece um coletor (catador) de reciclável que se aproxima da caçamba, dá uma olhada, dá um pulo para trás e não acredita no que está vendo... não acredita no que achou. Atônito com aquilo, sem saber o que fazer, sai correndo, vai até uma ESCOLA próxima e volta com um professor, que retira o embrulho (UMA CRIANÇA de uns 10 dias), coloca-o nos braços, sai correndo para a Escola. Lá, ajudado por uma docente, realizam procedimentos para reanimar a criança, enquanto aguardam o socorro.
Por que estou contando isto?
O que me chamou a atenção inicialmente foi a notícia em si, mais um bebê indefeso, é jogado pela suposta mãe no lixo, como se fosse isto: lixo. Isto vai contra o que certas pessoas dizem "que só mãe para saber o que é amor de mãe", "só mãe sabe cuidar e amar uma criança" e blá blá blá...
Além disto, deste comportamento que vai contra o propalado amor materno, tem mais um aspecto da notícia, que também contraria muitas opiniões tão divulgadas pela mídia, por políticos, jornalistas, etc... 
Quando o homem achou a criança e ficou desnorteado, sem saber o que fazer, o primeiro lugar que ele entrou e encontrou pessoas que salvaram a vida do recém nascido FOI A ESCOLA. 
O primeiro professor teve a rapidez, em todos os aspectos, tomou a criança nos braços rapidamente e levou-a para dentro da escola, onde haveria mais pessoas para ajudá-lo.
O segundo, aqui é a segunda, uma mulher, uma senhora experiente como mãe e como docente, claro, teve o conhecimento técnico necessário para salvar a criança, para fazê-la voltar a respirar. Não havia tempo para ligar para o bombeiro e aguardar socorro. Não havia tempo para ir fazendo manobras de salvamento, enquanto se ouvissem orientações por telefone. A ação era urgente e necessária!!!
A criança foi salva, ressuscitada, após a respiração boca a boca feita pela Professora. 
Que outro cidadão comum, que não um bombeiro, um médico, poderia resolver tão rapidamente e positivamente esta situação? 
O professor, no seu cotidiano, e outros funcionários da escola, em especial aqueles que cuidam das crianças nos pátios, realizam inúmeras atividades de primeiros socorros às crianças: uma hemorragia (nariz sangrando ou corte), um desmaio repentino (epilepsia ou alimentação inadequada, pressão baixa, diabetes...), até mesmo ajudar a criança, quando um dente cai e começa um sangramento e há o susto, o medo do aluno.
Até chegar o Resgate, o SAMU, quem faz o primeiro atendimento é o Professor ou um funcionário. 
O coletor de recicláveis, humilde, assustado, provavelmente, talvez inconscientemente, tenha se lembrado de sua infância, de fatos parecidos de machudados, talvez tenha sabido de atendimentos assim realizados por estes profissionais em um filho, um sobrinho.
A notícia não enfatizou este lado. Enfatizou o abandono da criança, a fila de casais para adotá-lo. Tampouco lembrou o ato humano, solidário, do humilde catador de recicláveis. 
Estes são os verdadeiros heróis desta história: o coletor e os professores. O primeiro pela atitude de chamar o socorro, os segundos pela rapidez de raciocínio e de ação.
Vejam que o conhecimento bem utilizado salva vidas. A Educação diariamente e sem estardalhaços, nem fogos de artifício também realiza grandes coisas, como diria um personagem do livro "Quase memória" do Cony.

Comentários

Ivan Leite disse…
A solidariedade e professores Nota 10 salvaram essa criança. Sem mais comentários!!!
Anônimo disse…
Del,
Esta notícia nos emociona e da forma como você colocou trouxe-me a lembrança as muitas crianças que são deixadas nas escolas "abandonadas" por seus pais que não tem tempo e nós professores socorremos e choramos juntos, quantos casos podemos contar...
catléia disse…
Obrigado a ambos, Prof. Ivan e Bia, pelos comentários nos meus textos! Fico feliz por gostarem do que escrevo, da forma como escrevo. Os comentários, as leituras, as observações servem como um potente estímulo para continuar escrevendo. Abraços!
Oi Maria seu texto além de emocionante é muito lúcido, em nosso pais a educação não é valorizada como deveria, nossos governos não se importam com a educação aliás é melhor que povo não há tenha.

Parabéns...

Postagens mais visitadas deste blog

A rotina na sala de aula I

Comecei lecionar em 1992, permaneci atuando em sala de aula até o início de 1997. Nesses anos tínhamos, em cada sala, uma parcela de alunos que não queria estudar, que vinham para a escola só para namorar, vagabundear, dizíamos que eles não tinham perspectiva de vida. Desses alunos, muitos ficavam anos e anos se matriculando na mesma série, assistiam alguns meses de aula, se evadiam, retornavam mais tarde para o curso noturno regular ou então para a suplência, por isso o curso noturno sempre foi bastante complicado, parecia que existiam duas escolas diferentes co-existindo em uma só. Anos se passaram, retornei para a sala de aula esse ano, 2010, em uma cidade do interior, mas sabendo que o alunado não seria muito diferente dos alunos de cidades grandes. A situação descrita no início desse texto, mudou muito, e para pior, pois temos agora em sala de aula uma maioria de crianças e adolescentes, que diariamente vão para a escola, porém sem a menor vontade de aprender, de estudar. Isso se...

Possibilidades

Hoje um amigo me perguntou se não estava mais publicando, porque não tem textos recentes no blog. Contei a ele que ontem estava escrevendo um, quando inesperadamente meu computador travou, quando voltou a funcionar... cadê o texto? Sumiu! Não estava de jeito nenhum nos arquivos recuperados. Você pode perguntar, por que não salvou? Por quê? Porque quando estamos escrevendo, planejando, pensando, repensando, as palavras vão fluindo, fluindo e nossos dedos parecem ter uma ligação mágica com nosso cérebro, de tal forma que o pensamento vai tomando forma, vida. Este tomar forma é algo realmente mágico! Iniciamos um texto, podemos ter de início, um plano, uma ideia na cabeça. Quando começamos a escrevê-lo, ele vai nos mostrando a direção para onde quer ir. Neste que você lê, talvez não enxergue esta mágica acontecendo, pois o verá acabado, formatado, concluído, diferentemente dos rascunhos, feitos à mão, dos escritores de outrora, nos quais se via o processo criativo, que se mostrav...

Anúncios de empregos: erros absurdos

Já escrevi um texto falando dos absurdos que lemos diariamente na internet, até mesmo em sites de empresas, que em tese deveriam se preocupar em não cometer erros grosseiros para não manchar a imagem. Hoje lendo alguns anúncios de empregos em um site local, mas que além de anúncios de vagas de empregos, presta outros serviços, vi  um anúncio, no mínimo, curioso! Como você, candidato a uma vaga de emprego, imagina que tenha que entregar seu currículo? Quais as formas para fazer isto? Acredito que possa ser pelo correio tradicional. Você colocaria seu currículo em um envelope, iria até a agência dos correios mais próxima, postaria sua correspondência para a empresa. Outra forma seria dirigir-se até a empresa ou a agência de recursos humanos e entregar o documento pessoalmente. Uma outra forma mais moderna e rápida seria anexar o documento a uma mensagem de e-mail e enviá-la para o endereço eletrônico da empresa contratante. Você conhece mais alguma forma? Eu não, mas ne...