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Por que escrevo?

Há algum tempo atrás, quando estava em sala de aula, realizei um trabalho com os alunos sobre relatos autobiográficos. Um dos textos utilizados para isto começava com uma pergunta “Por que escrevo?”. A ela respondiam escritores famosos, jornalistas.
Hoje eu me fiz esta pergunta. Por que escrevo?
Começou com um simples blog, sem grandes pretensões, onde publicava alguns textos, raramente, opiniões sobre leituras. Nada mais. Esta iniciativa ficou abandonada em algum lugar do weblogger.
O tempo passou e os blogs se tornaram mais do que um diário de adolescentes. Utilizado como meio para divulgar notícias de guerras, pois era mais ágil, o texto mais informal, mas não menos verdadeiro, era o cidadão testemunhando sua História, os fatos, publicando-os.
Resolvi renovar meu blog, mudei-o de provedor. Comecei a escrever textos com mais periodicidade. Paralelo a isto, comecei a escrever textos com histórias de família, histórias ouvidas, mas sem compromisso com a realidade, sempre juntando um pouco de ficção, porque “quem conta um conto, aumenta um ponto”.
Mas porque intensifiquei a escrita? Talvez porque no computador não precise ficar rascunhando, apagando, rasurando. Escrevo, se não gostar, apago tudo, apago partes, crio outras. A escrita mais ágil, rápida, ainda por cima com o tipo de letra que eu escolher (bem diferente da minha, que muitos acham difícil de ler!), feia, sem regularidade, não é redondinha, não é bonitinha, não é bem feitinha...
Vou confessar: o computador me seduziu para a escrita!
Veja o poder desta tecnologia!
Não que não tivesse usado outras... Fiz, quando adolescente, aulas de datilografia, afinal precisava me preparar para o futuro. Tive uma máquina de escrever (que guardo com carinho) com tipos grandes, ótima para fazer estênceis para provas. O que estas aulas me ensinaram? A ter agilidade na digitação, porque sou capaz de digitar rapidamente sem ao menos olhar nas teclas!
Mas a velha e querida máquina de escrever não chegou a me seduzir para a escrita, porque estava muito ocupada em trabalhar muito, pagar contas, em sobreviver do meu parco salário de professora iniciante (não que agora seja muito maior...).
Apesar de não ganhar muito mais, algumas coisas se popularizaram, o computador e a internet estão entre elas. Ainda não para todo mundo, mas nem todo mundo quer também, afinal tem os resistentes, os excluídos.
Agora estamos aqui, diante da telinha de um PC (personal computer), falando sobre o porquê de escrever, falando de TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação). Mas voltemos à pergunta inicial: Por que escrevo?
Porque a escrita me dá poder, poder de dizer o que penso. Poder de registrar o que penso e o que sinto sobre minha vida, minha família, a sociedade, o mundo. Poder de socializar tudo isto, fazer da minha palavra a palavra dos outros.

Comentários

Ivan Leite disse…
Algumas coisas me identifico com as suas palavras, por exemplo: a máquina de escrever. A minha, uma Lettera da Oliveti que guardei no começo deste ano num canto da minha biblioteca na casa de minha mãe, vai ficar lá guardada por muito tempo, pois realmente a tecnologia nos seduz. Quanto ao escrever, acho que escrevemos para tornar 'físico'aos nossos leitores os pensamentos que ficariam registrados no tempo abstrato das nossas mentes.

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