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João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

O garoto dentro do homem


“Todas as misérias verdadeiras são interiores e causadas por nós mesmos. Erradamente, julgamos que elas vêm de fora, mas nós é que as formamos dentro de nós, com a nossa própria substância.”


(Jacques Anatole France, poeta e romancista francês)




Conheço uma pessoa, há muitos anos, que, vindo de boa família, foi mudando muito com os anos. Do garoto simples, irmão mais velho de seis, quase nada resta. Casou-se cedo. Casamento não era muito do gosto das famílias, mas se casaram. O amor parecia ser muito. Talvez fosse diminuir as distâncias, aproximar as famílias.
O tempo foi passando, o jovem, mudando suas atitudes em relação aos pais, irmãos, se distanciando. Mesmo vendo-os raramente, não havia mais aquele companheirismo, nem a solidariedade. Tempos difíceis para a família. Problemas financeiros, de saúde. A família original foi ficando... para trás.
Ele continuou sua vida, ao lado da mulher escolhida, dos filhos. Os anos passaram. Os desentendimentos do casal vieram (e continuam) e o rosto do jovem, foi mudando, tornando-se amargo, triste, distante. Os olhos antes verdes, vivos, brilhantes, agora não mais!
O homem, pai de família, responsável. Mas e a vida conjugal? E a felicidade? E o companheirismo? E o amor?
O homem agora semblante triste, cabelos grisalhos, nervos que tremem ( a vida não é fácil!) a convivência também não!!!
Que sabe ele de seus irmãos? Que sabe ele dos sonhos dos irmãos? Que sabe ele das dificuldades que passaram durante mais de trinta anos? Que sabe ele da mãe? Das dificuldades que ela passou? Que sabe ele da adolescência dos irmãos? Que sabe ele das vitórias (MERECIDAS) da família original?
O tempo vai passando! A vida vai passando!
A vida é assim, nascemos, a partir de então, andamos vagarosamente rumo ao destino de todos nós.
Que pena! O garoto lépido, bonito, feliz, amoroso, está escondido (talvez trancafiado) no mais profundo recôndito da alma do homem.
Terá valido a pena? O sofrimento vale a pena?
Será que um dia o garoto, irmão mais velho, filho adorado de sua mãe, olhará para trás? E quando olhar, o que verá o fará mais feliz?
São perguntas que faço, mas que acredito, não terei respostas. 

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