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João Delfiol Construções

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Aprender a conviver

Essa semana que passou fui à São Paulo para realizar um exame, talvez fosse fazer uma cirurgia. Na salinha de espera do hospital, mais pessoas na mesma situação que eu, algumas jovens, universitárias, outras de 40 e poucos anos, outras com sessenta. 
Enquanto aguardávamos os atendimentos, cuja espera se prolongou por várias horas, as pessoas fizeram de tudo: conversaram, assistiram tv, contaram piadas, riram, reclamaram, leram revistas de fofocas de famosos, questionaram a demora, observaram-se umas às outras.
Em um dado momento, perto das 9h00, a tv de lcd na parede estava exibindo o Programa da Ana Maria Braga, que estava entrevistando um casal da melhor idade, que haviam se encontrado há uns sete anos, se apaixonaram, estavam namorando há uns sete anos ou mais. O Programa, auxiliado por empresas, patrocinou uma transformação para a Senhora, que mudou cabelo, fez peeling no rosto, aplicações de laser nas mãos para tirar as manchas típicas da idade e do sol, implantou alguns dentes, comprou roupas novas em uma loja de grife, claro, auxiliada por uma consultora de estilo, enfim teve uma consultoria de pessoas competentes de cada área, sendo assim o resultado só poderia ser dos melhores. A Senhora foi chamada para entrar na casa de vidro da Ana Maria, onde a esperava o seu amor, um senhor de mais de sessenta anos, acredito eu. Se abraçaram, se beijaram... um beijo na boca!!!!
Essa foi a expressão das jovens universitárias, que estavam de olhos atentos assistindo e comentando o programa, mas não parou por aí. Além do espanto um comentário, que me deixou estupefata: QUE NOJO! Sim, isso mesmo, leitores, não acharam um gesto bonito, de amor, de carinho entre um homem e uma mulher apaixonados. Sentiram asco, nojo, repulsa por esta demonstração de um casal apaixonado. Simplesmente porque não se tratavam de de dois adolescentes, ou de dois jovens! 
Como estranhar manifestações de preconceito contra homossexuais, se os jovens têm preconceito contra idosos, emos, punks, e outras tribos? 
Se uma pessoa que está cursando um curso superior tem este tipo de preconceito, o que diremos de ampla maioria da população, que não chegam nem a concluir o ensino fundamental ou o médio? 
Isso me lembra os quatro pilares da educação de Jacques Delors:
- aprender a conhecer;
- aprender a fazer;
- aprender a ser;
- aprender a conviver.
Que jovens estamos formando? Como diminuir a violência e o preconceito se os jovens não aprendem nem a conviver com os idosos? Que representação estes jovens têm das pessoas da terceira idade? Será que pensam que são assexuados? Será que acreditam que não mais podem se apaixonar, porque não têm mais 20 anos de idade? 
Precisamos cada vez mais aprender a conviver, pois vivemos diariamente em grupos: a família, a escola, os amigos, a igreja, o clube, os shows, o trabalho. O homem historicamente é um ser social, que sempre, desde os primórdios, viveu (vive) em grupos, por isto aprender a conviver se torna um grande desafio para todos, educadores ou não!

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