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João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

Minha vivência com o alzheimer de minha mãe

 

Vivenciamos, não todos, na família a demência/Alzheimer de minha mãe. Eu, meu marido, e um dos irmãos diariamente. Os demais o sabem, presenciam nas visitas, maiores detalhes ficam sabendo por mim, meu marido, o irmão, que mora com minha mãe.

Apesar de, no início da doença, bem como nos acompanhamentos regulares com a neurologista particular fui alertada que, mesmo medicada, a doença progrediria, talvez mais lentamente devido aos remédios, mas avançaria mesmo assim.

Assim está acontecendo!

Até uns dois anos a memória dela estava bem melhor, mas a idade é implacável! Os neurônios estão morrendo! Com eles está indo a memória dela, a recente, mas agora também as memórias passadas. O que sobrou, por enquanto, são as memórias do passado muito distante, da infância, adolescência, juventude, porém poucas, cujas histórias já nos eram bem conhecidas, agora são repetidas diariamente.

Ontem ela esteve em casa, conversou comigo, foi para a cozinha conversar e ficar com meu marido, que estava cozinhando. Depois de alguns minutos ela perguntou se eu estava no trabalho! Perguntou para mim onde morava minhas cunhadas, irmãs, do meu marido, que ela conheceu bem, moramos próximas, nos visitávamos bastante. Em seguida perguntou de meu sobrinho, Marcelo, onde morava, se era casado, isto porque o tinha visto por mais de uma semana há poucos dias.

Do irmão mais velho não pergunta mais. Acreditamos que já o tenha apagado da memória, até porque ele visitou-a muito pouco (pouquíssimo) nos últimos 30 anos ou mais. Quem ainda está ficando, aos menos os nomes, somos nós que convivemos diariamente com ela. Ainda se lembra do meu pai, agora com ternura, diferente de quando era totalmente lúcida, quando só tinha lembranças amargas, tristes, que doíam nela e incomodavam a todos nós, pois ele já foi para outro plano há cerca de 24 anos.

É duro ver e vivenciar tudo isso! A sensação que tenho é que ela está indo aos poucos, pois a mãe dinâmica, trabalhadora, brava, reclamona não existe mais. Agora quem existe é um adulto com cabeça e atitudes de criança, muitas vezes.

Ela ainda tenta fazer coisas que fazia muito bem: lavar uma louça, limpar uma casa, guardar louças, mas o pouco que faz, faz sem método, sem o mesmo cuidado e rapidez. Mesmo assim insiste em fazer!

Frequentemente ela tenta se lembrar dos irmãos dela, a maioria mortos, tanto os mais velhos, quanto mais jovens. Vai contando nos dedos e tentando lembrar os nomes de cada um.

Para nos confortar, acho, pensamos que ela está bem. Ela está andando. Se alimentando, não muito, mas se alimenta, após bastante insistência.  Ela mesma foi restringindo a própria alimentação, segundo ela, para não engordar. Ainda tenta fazer crochê, apoiada pela cuidadora, pinta alguns desenhos. Lê a bíblia com frequência, decodificando, quase, mas ainda lê, entretanto, não sabemos se a leitura tem sequência de páginas, ou se repete as leituras por ter esquecido, se lê aleatoriamente e de forma desconexa.

Tudo isso me aflige muitíssimo!

Acho que porque sempre estive muito próxima sempre e fiz questão de estar, por questões financeiras, familiares. Sempre a apoiei, mesmo quando minhas condições não eram nada boas. Ontem mesmo ela estava falando disso que eu sempre a ajudei muito!

Assim vamos... um dia de cada vez!

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