Capela de S. Cristóvão - Serra de Botucatu: quem vai salvá-la?

Toda cidade tem seus pontos turísticos, aqui na região isto não é diferente. Entre os diversos pontos visitados por turistas e moradores da região está a Capela de São Cristóvão. Esta construção simples, pequena, sem cadeiras almofadadas, sem altar glamoroso, sem padre responsável, fica na Serra de Botucatu. Fica em um ponto, onde se tem uma vista privilegiada de parte da cuesta.
Não sei dizer, quando a mesma foi construída. Sei dizer que passou por duas reformas, uma delas registrada em placa de bronze, afixada no altarzinho; outra feita por voluntários arregimentados durante quadro do Programa do Faustão há alguns anos.
No final do ano passado, se não me engano, houve um incêndio, segundo os jornais locais, teria sido motivado pelas velas acesas no altar (https://acontecebotucatu.com.br/policia/capela-pega-fogo-na-serra-de-botucatu/ ). Este incêndio vitimou metade do telhado, exatamente a parte que cobria o altar. A parede traseira da igreja ficou sem sustentação nenhuma. Construção antiga, sem amarrações. Há cerca de vinte dias, mais ou menos, estivemos lá e verificamos que esta parede estava se separando do restante da construção, já em estado bem avançado, com largas rachaduras, que deixaram a referida parede muito torta, pendendo para trás, como se estivesse sendo puxada.
Semana passada trafegamos pela rodovia e vislumbramos, aparentemente, que a parede havia ruído, pois via-se, da Rondon, o altar e o céu ao fundo! Talvez tenha sido uma impressão apenas...
Este local é muito visitado por muita gente, sejam os turistas, que viajam para esta região, sejam os turistas acidentais, que passando na rodovia resolvem parar e subir os muitos degraus até a Igrejinha e também ganhar de presente esta vista maravilhosa!
Que foi feito após o incêndio do ano passado? Nada! Quando estivemos lá verificamos que alguém retirou os destroços do telhado e jogou-os após a cerca de proteção. A Igreja Católica fez alguma coisa? Não sei! Os órgãos relacionados à cultura e preservação do patrimônio, se é que este último existe, fizeram algo? Também não sei. Ao menos nada neste sentido foi noticiado nos jornais da cidade.
Na cidade cujo lema recente é “terra da aventura”, onde se faz toda uma campanha para ampliar o turismo no município, no que se fez, até o momento, para impedir que a Igrejinha de São Cristóvão virasse ruínas? Sim, ruínas! Se caiu uma parede, metade do telhado, as outras três vão se sustentar no quê? Em um local onde o vento sopra muito forte, em um período chuvoso, como agora, o que vai sobrar? Um monte de entulhos!
Em agosto de 2013, após a reforma realizada pelos voluntários, a Capela aparece no noticiário local, que já dava conta dos danos causados pelos “vândalos”, que vinham quebrando santos, entre outras práticas condenáveis (https://acontecebotucatu.com.br/geral/capela-e-atacada-pro-atos-de-vandalismo/ ).
Nesta última notícia a Prefeitura aparece como responsável por zelar do local, o que seria feito mensalmente.
O que foi feito nestes últimos meses? Desde o incêndio, noticiado no final de novembro de 2016, quais ações foram realizadas para impedir que as paredes começassem a ruir? O que foi feito com o telhado? Alguém visitou o local para verificar o grau de comprometimento do telhado e das paredes e o risco da visitação no local, haja vista a precariedade das paredes, que se encontravam com fissuras? Foram colocadas placas avisando os turistas do perigo?
Estivemos lá recentemente (07/05/2017), cerca de uns quinze dias, e não havia nenhuma placa avisando do perigo iminente! Nesta data era nítido o perigo da queda da parede dos fundos, pois, como se pode ver nas fotos, o que antes era uma fissura, agora já era uma rachadura, que aparecia tanto por fora, quanto do lado de dentro da Capela.
Esta Capela é o local religioso mais democrático da cidade e da região. As portas estão sempre abertas! Entravam ateus, católicos, umbandistas, candomblecistas, turistas, adultos, crianças, idosos, brancos, negros, amarelos! Ali não se pediam dízimos! Não se apregoavam os nomes dos “doadores” de dinheiro para a compra dos bancos, das portas, das venezianas, nem tampouco estavam escritos em placas e nos vidros das janelas.
Ali a Capelinha humilde recebia a todos e além de um teto e um altar para suas preces, também oferecia bancos do lado externo para apreciar a infinitude do horizonte, a beleza da Cuesta, a perfeição nas cores da natureza ao redor e de suas formas. Ali, tendo-a como fundo, se podia se deliciar com o pôr do sol, ver as estrelas espalhadas pelo céu límpido do interior. Ali noivos iam para registrar fotos do seu álbum de casamento!
O que será feito? O que ficará, além das fotos, e dos momentos contemplativos, que muitos têm registrados na memória?

FOTOS TIRADAS EM 16/10/2016





FOTOS TIRADAS EM 04/12/2016














 FOTOS TIRADAS EM 07/05/2017














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