Marcas do tempo

Há algum tempo, meio angustiada com a idade, comprei um livro da Lya Luft, no qual ela falava das perdas que temos no decorrer de nossa vida, consequentemente da idade. Li o livro, foi uma ótima leitura, me ajudou a entender alguns sentimentos, inquietações, perdas, por que não? Vamos perdendo pais, tios, amigos, nossa imagem de nós mesmos.
O tempo inexorável, como disse alguém, vai agindo sobre nós, mudando nosso corpo. Algumas mudanças vamos “mascarando”, como os cabelos brancos, que vamos cobrindo com uma tintura, o que para a mulher não é difícil, porque faz muito bem ao ego, quando mudamos a cor do cabelo, o corte, alguém nos diz: “Ficou ótima essa cor pra você” ou então “Nossa, você está poderosa!”
Mesmo com esses cuidados e outros como a caminhada, para perder uns quilinhos, a rapidez dos passos, tentarmos ficar “antenadas” com o mundo da informática e as novidades, há coisas que não tem jeito.
Acredito que para cada um essa constatação acontece de alguma forma. Vejo as sessentonas atrizes de televisão com a pele “de pêssego”, corpo bem torneado pela malhação, plásticas, drenagem linfática, implantes de silicone, tratamentos com botox, para diminuir os sinais do tempo no rosto; utilização de laser para também atenuar esses sinais, ou então, para extirpar pra sempre aqueles pelos indesejáveis, que surgem por todo nosso rosto, após os trinta e cinco, seis, sete...
Vejo tudo isso, me olho no espelho! Penso... E nós, pobres mortais, cidadãs comuns, que ganham salários, que não são chamados oficialmente de mínimos, mas que também são igualmente mínimos. Não temos acesso a tudo isso. E bons cremes para diminuir os sinais da idade? Também são caros! Mesmo naquela empresa de cosméticos popular, que vende produtos porta-a-porta, mas que já não é mais tão popular assim, haja vista suas propagandas bem elaboradas no horário nobre da tv. O que nos resta?
Olhar para nosso rosto e ver as mudanças, as marcas. Olhar para partes, não expostas, de nosso corpo, ver ali, onde antes havia apenas pelos retintos, começar a pintar os primeiros pelos brancos. Quando vi um nesse lugar pela primeira vez, fui invadida por uma melancolia, como se uma constatação, de algo antes inimaginável, se materializasse naquele momento.
Você, leitor/leitora, adolescente, ou jovem, não ria! Você ainda vai passar por isso! É a vida! É o tempo, que passa para todos nós!

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