Informática e inclusão digital

Trabalhei muitos anos na Grande São Paulo. Vivi muitos anos lá também. Nos últimos anos vimos uma crescente utilização da Informática, a popularização dos computadores, da internet, ao acesso à web. Em geral, a maioria das pessoas de nossas relações, professores, diretores, coordenadores usando o PC para realizar atividades profissionais, para seu lazer, enfim se apropriaram destas tecnologias.
Vimos também a facilidade do acesso, mesmo para quem não tem o computador em casa, nas lan louses espalhadas nos centros da cidade e nos bairros mais afastados. Nos shoppings há cartazes avisando a possibilidade de acesso à internet gratuitamente, bastando para isto portar um notebook ou um netbook (computador portátil de dimensões bem menores do que o notebook) com sistema wirelless (rede de internet sem fio).
Saímos da Grande São Paulo, mudamos para uma cidade do interior, de médio porte, uma das maiores de sua região. Imaginávamos que aqui a informática e seus recursos também estivessem popularizados, mais disseminados entre a população. Ledo engano!
Já percebemos nas escolas esta nova realidade! São poucos os professores que têm intimidade com o computador, mesmo havendo o equipamento à disposição deles, com conexão à internet, enviado às escolas em 2007/8 em um programa governamental.
Somente isto já nos daria um indicador...
E entre a população mais carente? Como estaria este acesso?
Aqui ainda são muito populares outros meios de comunicação, que atingem esta faixa da população.
É comum vermos pelas ruas um carro de som, que comunica aos moradores o falecimento de alguém, local do velório, convidando conhecidos para a cerimônia.
Isto me lembrou muito a cidade de minha infância e juventude, onde este tipo de informação era veiculada em um sistema de alto-falantes instalado na avenida principal, mais tarde passou a ser feita pela pequena Rádio.
O rádio... este aqui ainda é muito popular, tanto que quando as pessoas querem reclamar, chamar a atenção para algum problema na sua rua, no seu bairro, vão até uma das poucas rádios existentes aqui, “colocam a boca no trombone!”
Quando uma instituição, escola, igreja, prefeitura, quer também informar a maioria dos habitantes, utiliza os microfones de uma delas, porque com certeza o público alvo, sem acesso à net, vai ouvir, vai receber a informação.
Bem... a internet popularizada? O PC freqüentando o cotidiano como faz a televisão?
Meus caros, ainda não é realidade aqui! A inclusão digital tão falada pela mídia está longe de acontecer!  

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