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João Delfiol Construções

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Lembranças de infância!

 

Fico vendo as crianças de hoje somente conectadas no celular e no mundo virtual, muitas vezes irreal ou adulterado que existe ali, sem vivenciar outras experiências simples e tão enriquecedoras para o ser humano, como aquelas que nos permitem um contato maior com a natureza e outros seres humanos da mesma idade.

Não sou dessa geração. Nem nasci nesse século!

Na minha infância brincávamos e nos divertíamos com coisas simples e grátis ou baratas ou então feitas por nós mesmos, dada às dificuldades financeiras de boa parte das famílias de minha cidade e com as quais eu tinha contato.

Imagem criada por IA

Na pequena cidade interiorana paranaense onde nasci, no verão o calor era muito intenso! As chuvas eram por vezes assustadoras, daquelas que levam os telhados das casas embora. Quando eram chuvas mais mansas, sem riscos, corria para um canto de nossa casa onde as partes do telhado de nossa casa se encontravam, de onde descia uma bica de água fortíssima. Ali era meu lugar preferido nesses dias! Corria para lá de shorts e blusinha e ali ficava usufruindo daquele presente da natureza: a água límpida e refrescante! A bica de água era tão forte que massageava meu corpo e fazia barulho ao bater na minha cabeça.

Eu tinha outras brincadeiras também!

Como filha de costureira, que trabalhava em casa, vivi em meio aos tecidos, tesouras, agulhas, botões, zíperes, linhas coloridas, moldes de roupas e muitos retalhos de tecidos. Eu tinha umas bonecas de plástico duro, pequenas, as mais baratas, com cabelos loiros, pareciam modelos. Para elas eu fazia as roupas com os retalhos e costurava pacientemente cada uma delas à mão. Era uma de minhas diversões! Eu mesma imaginava a roupa, cortava e costurava e assim vestia as minhas modelos. Andava pra lá e pra cá com uma espécie de sacola, onde colocava as bonecas e um monte de roupinhas, que eram usadas para trocá-las, a depender da brincadeira de cada dia. Quando ia para a casa de alguma amiga, o que não era comum, colocava tudo em uma mala velha e ia feliz da vida brincar. Lembro de brincar com a Regina, uma amiga que morava em um sítio próximo, que era sobrinha de uma de minhas tias.

Havia outras brincadeiras! Não gostava muito de me sujar brincando, apesar de morarmos em uma casa com um enorme terreno com muito espaço, muita terra, areia, mas também horta, galinhas. De vez em quando brincava sentada na terra, fazendo as populares comidinhas de barro.

Minha mãe contava que eu também brincava de ser Professora. Ela adorava, pois não conseguiu estudar e projetava na gente seus sonhos. Ela falava que eu colocava as bonecas encostadas em algum lugar, escrevia nas paredes e “dava aulas” para essas alunas pacientes e silenciosas.

Também fazia minhas “artes” quando criança. A mais famosa, não sei ao certo a idade, mas talvez uns quatro ou cinco anos, quando meu irmão mais velho voltou da escola rural, onde estudava, e trouxe uma lata com leite em pó. Não lembro detalhes, mas segundo ouvi de outro irmão, quando minha mãe foi procurar o leite em pó, ele estava nas paredes da nossa humilde casa de madeira, deixando-as caiadas. Dei uma outra utilização ao leite!

Em parte de minha infância morávamos em um sítio em um distrito da nossa cidade natal, onde havia uma estrada de terra que passava na cabeceira da propriedade, cuja propriedade, como era comum na época, era inteira cercada por arames farpados. Certa vez, estava passando uma boiada por essa estradinha e acompanhei meus irmãos, que correram até lá apreciar a vacaria. Como eu era a menor, mas queria ver tão bem quanto eles, peguei uma madeira que estava por ali, coloquei-a sobre um dos arames farpados e subi. Adivinha? Caí, claro! Na queda meu rosto pegou na cerca e o arame rasgou meu rosto. Médico? Pontos? Que nada! Nessa época nem hospital nossa cidadezinha tinha, apenas um farmacêutico que socorria as urgências da população. Fui cuidada em casa pela minha mãe. Por bastante tempo ficou a marca no meu rosto, que me incomodava, mas com o passar do tempo e o crescimento a cicatriz  foi mudando de lugar e ficando mais discreta. Sobrevivi!

Temos tantas histórias de vida para contar, mas só as vivenciamos, porque não tínhamos uma tela de celular nos hipnotizando e mandando em nossas vidas! Éramos livres!

 

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