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João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

Não controlamos tudo.


Não controlamos tudo.
Não controlamos quase nada!
O coronavirus veio escancarar isto pra todos.
Governantes.
Médicos.
Políticos.
Jovens.
Velhos.
Crianças.
Nossa rotina diária foi mudada bruscamente.
Não saímos mais para trabalhar.
Muitos trabalham em casa.
Incorporamos novos termos: “home office”, teletrabalho, covid-19...
Muitos não sabem se ainda terão trabalho e um salário para sua subsistência e de sua família.
Muitos continuam pelas ruas. Agora sem a possibilidade do dinheirinho para o café, o marmitex, a cachaça.
Sem o abrigo público.
 Sem o banho.
Sem a janta, sem a sopa do sopão noturno.
As escolas silenciaram. Mas não são férias. Crianças restritas aos pequenos apartamentos, onde vivem. Sem correr, sem jogar bola na quadra, sem nadar na piscina, sem abraçar os amiguinhos, sem dormir na casa deles. Sem as festinhas de aniversário!
Os idosos teimosos resistem!
Resistem ao tempo!
Resistem às imposições.
Resistem às regras para não jogar dominó na praça.
 Insistem em sair. Ir ao Supermercado. Sem máscaras! Sem preocupações?!?!
As grandes  avenidas, que fervilhavam pessoas, onde a vida pulsava insistente e barulhenta, só uns e outros trabalhadores da saúde, da padaria, do mercadinho, da farmácia, da educação trafegam para cumprir suas obrigações profissionais. Todos salvam vidas!
Uns salvam vidas da ignorância, que adoece e mata.
Outros salvam vidas com o cheiroso e apetitoso pão nosso de cada dia.
Há aqueles que salvam nossos estômagos da fome, seja pouca, seja muita, seja antiga, seja doce.
E o que falar daqueles que na sua roupa branquíssima, fala mansa, nos atendem nas farmácias, nos explicam sobre o remédio, que compramos, sobre como tomar corretamente cada medicamento, sem sofrimento.
Agora usam máscaras! Não são de super-heróis! São máscaras de medo! Medo do espirro, da tosse, das gotículas de saliva, do outro, do idoso, do jovem, do novo, sem máscaras.
Enquanto escrevo aqui, minha rua também silencia. Silêncio raramente quebrado!
Pelos três aviões com um padre dentro, que ora e pede e vê feliz e agradecido a água benta sendo espirrada abundantemente sobre sua cidade querida.

O que pede ele?

Saúde!  Vida!

Março/2020, em tempos de quarentena do coronavirus-codiv19

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