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João Delfiol Construções

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Educação subliminar

Não costumo escrever muito sobre educação neste blog, pois, na essência, surgiu com a proposta de registrar minhas impressões sobre assuntos diversos.
Isto posto, vou tratar de educação sim, mas não da educação formal, que se dá nas escolas, de forma sistematizada com a mediação e auxílio dos Professores, Coordenadores, Diretores, entre outros.
De qual educação vou tratar então? Na escola a chamamos de currículo oculto, mas como tratarei da educação, que acontece fora dos muros escolares, vou chamá-la de educação subliminar. Por que subliminar? Este termo é bem conhecido em propaganda, onde se fala bastante em mensagens subliminares, no cinema também. O que é subliminar? O que não está explícito.
Vamos lá. Vou usar exemplos práticos deste tipo de educação, que observo no cotidiano.
A madame, de muitas posses, matricula seu filho na melhor escola particular da cidade. Aquela escola tradicional, caríssima, de educação rigorosa, confessional. Ela quer a melhor educação para seu filho, afinal será um futuro médico muito famoso ou um futuro advogado, também muito famosos. De carreira de sucesso. A criança, desde muito cedo, aprende nesta instituição os conteúdos escolares das diversas disciplinas. Até canta em latim no coral do colégio!
Esta mãe também chama a atenção do filho para que ele se porte adequadamente à mesa. Dá a ele aulas de etiqueta desde pequeno. Como comer, se sentar, se vestir, se portar, se comportar.
Até aí... tudo bem.
Saída da escola, esta mãe, sempre com pressa, afinal tem seus compromissos. Para seu COROLLA, do ano, último tipo, em fila dupla, em frente à escola do filhinho, coloca sua mão para fora e acena acelerando o seu pupilo. Enquanto isto, rua estreita, os demais pobres mortais, ficam à espera!
Esta senhora, mãe desta criança, também tem uma mãe. Claro. Sua mãe também tem um carro. Do ano. Claro. HONDA CIVIC. Também é uma pessoa com muitas responsabilidades, ocupada... Não gosta de pagar estacionamento. Que faz esta mulher? Vai até certa rua da cidade, onde há uma certa loja, que oferece estacionamento gratuito para seus clientes, mas sem supervisão de nenhum funcionário. Está lá. Tem um lugar para enfiar o carro dela. Por que não? Só vai demorar alguns minutos! Não se faz de rogada. Com muito cuidado coloca seu HONDA CIVIC no corredor estreito do estacionamento. Ah, está travando alguns carros, mas ela só vai demorar alguns minutos. Sai do estacionamento e vai para a rua do comércio dar conta de seu urgentíssimo compromisso.
O que estas pessoas estão ensinando aos seus filhos. Estão ensinando da melhor forma: exemplo. Estão dizendo ao filho, que são melhores do que os outros. Podem estacionar em fila dupla, apesar do código de trânsito brasileiro dizer o contrário. Estão demonstrando para o filho, como ele pode levar vantagem em tudo. Mesmo com dinheiro para pagar um estacionamento ou o parquímetro, guarda o dinheiro e coloca seu carrão no corredor do estacionamento de uma loja, impedindo outros clientes de saírem da loja e saem sem se importar com o outro, que quer ou precisa sair.
Será que estes exemplos dados às crianças diariamente por seus pais, mães, tios, tias, avôs, avós, responsáveis vão influenciar na formação dos pequenos? Será que serão motoristas educados? Será que respeitarão os direitos dos outros, mesmo que seja o direito de ter local para sair com o carro do estacionamento da loja, onde estava comprando? Será que vão respeitar os meios-fios pintados de amarelo nas esquinas, onde é proibido estacionar?
Dei alguns exemplos relacionados ao trânsito, mas poderia dar outros, mas nesta postagem, me limitarei a ele.
Paulo Freire já ensinava, que ninguém ensina, se não for pelo exemplo. Que as palavras exigem coerência com a prática.

As pessoas retratadas acima ensinam seus filhos, sim, com os seus exemplos diários! 

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