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João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

Compartilhando mais do que café e pão de queijo

Há pouco mais de quatro anos mudei de cidade. De uma cidade de setecentos mil para uma de cerca de centro e vinte e sete mil habitantes. Na primeira foram uns dezesseis anos de vida, muito sofrimento para me adaptar uma cidade tão grande, onde, no início, nunca via ninguém conhecido pelas ruas, galerias, lojas.
Depois de quase duas décadas, claro, devido ao meu trabalho passei a conhecer muita gente, a ver rostos conhecidos e simpáticos na feira, no supermercado, no shopping. Isto fez eu me sentir acolhida, como parte integrante deste mundo, no início, assustador.
Com o passar do tempo sentimos a necessidade de mudar para um lugar mais calmo. Nos mudamos. Começou tudo de novo. Andar pelas ruas e sentir-se sozinha. Agora um pouco pior, pois não veio ninguém de minha família: irmãos, cunhadas, sobrinhos e sobrinhas. Quase um ano de tristeza, meio depressiva. Morando em uma casa (edícula) minúscula, úmida, grande metade de minha mudança encaixotada, outra parte ficou na casa de origem. Este foi um ano frio, úmido, de muita neblina, o que me deixava mais triste ainda.
No ano seguinte voltei a trabalhar e começar a conhecer pessoas, fazer amizades. Ainda sentia muita saudade de meus familiares, mas já ia me sentindo mais próxima, mais integrada a esta nova cidade.
Neste período de reconhecimento deste lugar conheci uma senhora, proprietária de um café, onde passava quase todas as manhãs para tomar um café, comer um pão de queijo, conversar um pouco.
Muitas vezes conversamos, falamos da cidade, de trabalho, de família, do comércio, enfim de assuntos diversos. Acho que nunca soube o nome dela, nem ela o meu. Somente esta semana, ontem, ao passar pelo café e tomar um café com pão de queijo, me veio a vontade de fotografá-la. Pedi, ela aceitou sem pestanejar. Tirei a foto, na qual mostrava ela e um pouco do Café, onde ela trabalha com muito afinco todos os dias. Após este momento, ao pagar a conta, ela pediu um abraço, nos abraçamos, paguei a conta e segui em frente. Somente depois deste momento, me dei conta que não sabia, não lembrava o nome dela. Perguntei. Agora ela não é somente a Senhora dona do Café. Tem um nome, uma identidade, compartilhamos histórias de vida!

Obrigada, Katarina, por me deixar fotografá-la, por compartilhar comigo algumas de suas histórias de vida e por ouvir um pouco das minhas ! 

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