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Reminiscências...


Após ler a crônica do Prof. Gérson Trevisanintitulada “Tesoura e tesouro” fiquei pensando qual seria o objeto ou os objetos que me traziam lembranças. Claro que todos temos lembranças ligadas a coisas, objetos. Mas qual seria este objeto?
Talvez porque eu não os tenha, seja difícil lembrar deles. Não, não os tenho, afinal muitas mudanças, mudanças de casa, mudanças de cidade, mudanças de estado e de Estado também levaram consigo objetos, que, não mais tinham utilidade ou que pudessem ocupar um espaço, que não mais existia para ele em nossa casa.
Lembrei da antiga máquina de costura de minha mãe, Singer, movida a pedaladas vigorosas da costureira. Ficou velha, nem me lembro em qual momento ela saiu de nossa família!
Ah, haviam também aqueles estojos, pareciam marmitas, de aço inox, no qual ficavam as grossas, pesadas seringas de vidro com as quais meu pai, mais tarde minha mãe, nos aplicavam as temidas e necessárias injeções. Sim, naquela época, onde se morava distante da cidade, as estradas eram outras, meios de locomoção também, eram os pais que faziam isto! Farmacêutico diplomado era um luxo!!! Médico? Mais raros ainda... Falei das seringas, mas as agulhas eram muito mais grossas, do que as que conhecemos hoje, por isto seus efeitos eram mais dolorosamente sentidos nas nádegas e nos braços das crianças,
Meu pai tinha uns enormes serrotões chamados de trançadores, que eram utilizados para serrar as árvores, afinal ele, seus irmãos, seu pai, foram pioneiros no Noroeste do Paraná, onde ajudaram a abrir a floresta para plantar, ajudaram a tornar a nossa cidade natal, no que ela é hoje!
Que outro objeto traz lembranças? Olho no meu quarto. Meus olhos percorrem o cômodo buscando, tentando encontrar algo, mas nada.
Acho que daquela época, restou apenas uma antiga panela de alumínio batido, que não sei onde está, se está comigo. Era grande, com cabos nas laterais. Esta panela grossa, pesada, sempre muito limpa e brilhante cozinhou guloseimas feitas pela minha mãe. Doces os mais diversos. Não se compravam doces com a frequência de hoje. Os doces eram feitos em casa, com frutas da estação. Minha mãe fazia doce de leite, doce de abóbora, de mamão verde ralado. O doce de abóbora era o preferido de meu irmão, João. Mas sem cravo da índia, somente o açúcar e a abóbora!
As guloseimas me lembraram outro objeto. O cilindro. Um cilindro cujos rolos eram de madeira. Grande. Foi muito utilizado para cilindrar massas diversas para pães, bolachas. Quantas e quantas vezes minha mãe fez pães e os cilindrou, enquanto olhávamos atentamente a massa macia passar por entre os grossos rolos de madeira, que eram apertados de tempo em tempo, para que a massa fosse ficando mais fina, assim o pão ficasse mais macio, mais gostoso. Víamos as bolhas que iam se formando, explodindo. Além dos pães, parte da massa era utilizada para fritar. Estas massinhas fritas, quentinhas com café... huuuuuuummm!
Mas e você, que lê este texto agora... Qual o seu objeto?



Comentários

Professor Gerson disse…
Doces recordações de tempos difíceis, mas por isso mesmo especiais...que ficam guardadas no mais recôndito do coração e da alma...e que valem a pena ser rememorados. Gostei demais da viagem que fiz ao tempo com sua cronica.

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