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Meu brinquedo preferido

Li em uma revista de Educação a pergunta “Qual era o seu brinquedo na infância?”. Esse questionamento me levou a “escanear” a minha memória em busca de recordações, que trouxessem à tona brinquedos, brincadeiras.
Lembrei-me de uma boneca de plástico, pernas e braços longos e finos, parecendo meninas na adolescência, cabelos longos, que por muito tempo guardei, mesmo ela tendo sido objeto de uma brincadeira de um dos irmãos mais velhos, que, boneca nova, escreveu-lhe na testa: Maria. Parecia que queria mostrar pra todos que a dona daquela boneca era eu. Chorei muito por isso!!!
Não, não era ela meu brinquedo preferido.
Lembrei-me também de várias bonecas pequeninas, com as quais ficava horas brincando, costurando roupinhas pra elas, vestindo-as cada momento com uma roupa diferente. Prenúncio de uma grande estilista? Não. Apenas influência de uma mãe costureira, auto-didata, que ajudava no orçamento doméstico costurando pra vizinhança.
Não, não eram elas o objeto de minhas brincadeiras marcantes da infância.
Também me veio à memória um fogãozinho, de plástico azul, onde cozinhava pras bonecas e pras minhas poucas amigas de infância. Quando o ganhei de presente de meu pai, fiquei muito frustrada, porque já tinha visto um outro, de alumínio, acho, pintado, bonito, com forninho que abria e fechava, com as panelinhas igualmente bonitas, mas fazer o quê! Acredito que fosse muito mais caro, por isso não ganhei, afinal meus pais estavam passando por dificuldades financeiras, doença na família, éramos quatro irmãos dando gastos.
Esse não era meu brinquedo preferido!
Gostava de todos eles, mas o que mais me recordo da infância não era um brinquedo, mas sim uma brincadeira comum, gostosa, que não custava nada! Brincar com água! Tomávamos banhos demorados dentro do tanque de lavar roupas, daqueles de cimento de duas partes, enchíamos de água, entrávamos, ficávamos por horas ali dentro, no sol, no calor, mas o corpo e a cabeça fresquinhos, sem problemas, sem responsabilidades, a não ser se divertir.
Além dessa estratégia, havia outra, mais natural ainda: tomar banho em dias de chuva. Ah! Parece que estou vendo, eu, criança, vestida apenas com um shortinho, camiseta, embaixo de uma bica de água que descia de uma das “cumeeiras” da casa de quatro águas. Aquela água limpinha, fria, gostosa, descendo aos borbotões por aquela bica, caindo sobre minha cabeça, massageando meus cabelos loirinhos, enquanto eu pulava de tão feliz! Raios? Trovões? Medo? Que nada! FELICIDADE! Esse era o sentimento que invadia todo meu ser.
Enquanto escrevo esse texto, ainda vejo aqueles dias quentes do Paraná, aquela chuva transparente, as vezes misturando sol e chuva, então era mais bonito ainda, os raios do sol perpassando as gotas generosas e límpidas das chuvas paranaenses.
Cresci. Sou adulta, mas essa brincadeira de criança ainda me chama, ou melhor, chama aquela criança feliz, do interior, que mora dentro de mim.

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