Pular para o conteúdo principal

João Delfiol Construções

João Delfiol Construções

Convênio público e interesses particulares...

Pago, religiosamente, desde 1992, um “convênio” do Estado, que somente agora estou tentando utilizar, pois não pago mais convênio médico particular.
Mesmo residindo em uma cidade, que acredito, há diversos médicos para cada cidadão, há uma grande dificuldade em ser atendida por eles.
Começa pela Universidade pública existente aqui, dizem uma das melhores do Estado, quando se trata de cursos de medicina e veterinária.
Todos os atendimentos do Estado de São Paulo se concentram nessa Universidade, o que não seria de todo ruim, pois dizem que o atendimento é muito bom, mas há uma agravante: toda a região Centro-Oeste é atendida aqui. Pela manhã, em uma das avenidas principais da cidade, pode-se ver os ônibus, ambulâncias de outros municípios trazendo seus pacientes para serem atendidos aqui.
Além disso, a maioria dos médicos da cidade, segundo comentários de populares e de outros profissionais da área médica, trabalha nessa universidade e mantém clínicas particulares, o que, acredito, é um direito deles.
Qual é problema então? Quais são os problemas?
Há nessa universidade, segundo ouvi de uma médica, uma “cota” de atendimentos por esse convênio público, que esses médicos da Universidade atendem somente a cota, o que implica em não aceitação de novos pacientes (meu caso), não importa o quanto reclame, nem sua necessidade, nem seu direito à saúde, estipulado na Constituição Federal, nem que, como pagante, sou uma consumidora, por esse motivo poderia cobrar meus direitos... mas onde?
Enviei uma reclamação para a Ouvidoria do órgão, acostumada a fazer isso em relação à empresas particulares, estranhei a demora da resposta ou  mesmo de uma afirmativa, quanto ao recebimento da reclamação, resolvi telefonar para ver se ao menos havia chegado minha mensagem. Mais uma descoberta: há somente uma pessoa para ler e responder as milhares de reclamações que chegam todos os dias (palavras da pessoa, funcionária da ouvidoria, que me atendeu).
Estranhei também o fato de não haver clínicas particulares credenciadas para atender por esse convênio público, descobri o porquê em uma conversa com um médico. Segundo esse profissional, o convênio paga muito pouco, por isso não há interesse deles em atender aos cidadãos que pagam o convênio.
Vamos pensar... Se as pessoas não são atendidas na Universidade, porque só atendem à cota, se há poucos profissionais lá para fazer o atendimento voltado ao convênio público, se as pessoas necessitam do atendimento, logo... PAGARÃO por ele nas clínicas particulares dos mesmos profissionais, que também atendem (?) na Universidade Pública.
Quem perde com isso? O médico? Não!!!!! O convênio???? Não, pois está recebendo mensalmente as mensalidades dos atendidos e dos não atendidos pelos médicos. Quem perde é o funcionário público, cidadão, pagante, pessoa humana, que vê diariamente seus direitos serem “esquecidos”, menosprezados!
Até quanto vamos aceitar esse tipo de coisa? Até quando vamos aceitar um “convênio público” deficiente? Até quando vamos ver nossos Sindicatos de classe fazendo propagandas de convênios médicos particulares? Não deveriam eles, sindicalistas (pagos pelos funcionários sindicalizados, mesmo pelos não, uma vez que são funcionários afastados de suas funções e pagos com nossos impostos) cobrar do Estado um convênio público, decente, que atendesse aos funcionários com eficiência e urbanidade?


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A rotina na sala de aula I

Comecei lecionar em 1992, permaneci atuando em sala de aula até o início de 1997. Nesses anos tínhamos, em cada sala, uma parcela de alunos que não queria estudar, que vinham para a escola só para namorar, vagabundear, dizíamos que eles não tinham perspectiva de vida. Desses alunos, muitos ficavam anos e anos se matriculando na mesma série, assistiam alguns meses de aula, se evadiam, retornavam mais tarde para o curso noturno regular ou então para a suplência, por isso o curso noturno sempre foi bastante complicado, parecia que existiam duas escolas diferentes co-existindo em uma só. Anos se passaram, retornei para a sala de aula esse ano, 2010, em uma cidade do interior, mas sabendo que o alunado não seria muito diferente dos alunos de cidades grandes. A situação descrita no início desse texto, mudou muito, e para pior, pois temos agora em sala de aula uma maioria de crianças e adolescentes, que diariamente vão para a escola, porém sem a menor vontade de aprender, de estudar. Isso se...

Possibilidades

Hoje um amigo me perguntou se não estava mais publicando, porque não tem textos recentes no blog. Contei a ele que ontem estava escrevendo um, quando inesperadamente meu computador travou, quando voltou a funcionar... cadê o texto? Sumiu! Não estava de jeito nenhum nos arquivos recuperados. Você pode perguntar, por que não salvou? Por quê? Porque quando estamos escrevendo, planejando, pensando, repensando, as palavras vão fluindo, fluindo e nossos dedos parecem ter uma ligação mágica com nosso cérebro, de tal forma que o pensamento vai tomando forma, vida. Este tomar forma é algo realmente mágico! Iniciamos um texto, podemos ter de início, um plano, uma ideia na cabeça. Quando começamos a escrevê-lo, ele vai nos mostrando a direção para onde quer ir. Neste que você lê, talvez não enxergue esta mágica acontecendo, pois o verá acabado, formatado, concluído, diferentemente dos rascunhos, feitos à mão, dos escritores de outrora, nos quais se via o processo criativo, que se mostrav...

Anúncios de empregos: erros absurdos

Já escrevi um texto falando dos absurdos que lemos diariamente na internet, até mesmo em sites de empresas, que em tese deveriam se preocupar em não cometer erros grosseiros para não manchar a imagem. Hoje lendo alguns anúncios de empregos em um site local, mas que além de anúncios de vagas de empregos, presta outros serviços, vi  um anúncio, no mínimo, curioso! Como você, candidato a uma vaga de emprego, imagina que tenha que entregar seu currículo? Quais as formas para fazer isto? Acredito que possa ser pelo correio tradicional. Você colocaria seu currículo em um envelope, iria até a agência dos correios mais próxima, postaria sua correspondência para a empresa. Outra forma seria dirigir-se até a empresa ou a agência de recursos humanos e entregar o documento pessoalmente. Uma outra forma mais moderna e rápida seria anexar o documento a uma mensagem de e-mail e enviá-la para o endereço eletrônico da empresa contratante. Você conhece mais alguma forma? Eu não, mas ne...