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Pérolas do jornalismo

Essa semana, como na anterior, na mídia prevaleceram as notícias sobre mortes, assassinatos, estupros de crianças por pedófilos. Em um desses dias cheguei a mudar de canal tal era a quantidade e a insistência de se falar somente do mesmo assunto. Não que eu pense que a violência deva ser esquecida, não é isso, até porque ela bate às nossas portas todos os dias, entretanto alguns canais abusam da notícia e falam dias e dias sobre o mesmo fato, como se isso fosse resolver alguma coisa. Como se não bastasse falar, relembrar, escaramunchar, remexer, ainda fazem alguns comentários sem muito nexo.
A respeito da outra menina que foi assassinada em Curitiba, Paraná, cujo suspeito é um morador de rua, que era amigo da família e auxiliado pelos pais da criança; em um dos canais (dos poucos a que tem acesso o cidadão comum) o âncora, após dar a notícia, mostrar algumas imagens da casa onde a criança residia, fecha a notícia com uma fala, dizendo mais ou menos: "Isso aconteceu no Sul do País, onde os moradores em sua maioria têm nivel superior". E aí eu pergunto: qual a relação entre a morte trágica de uma criança e a formação dos cidadãos? Só lembrando que na notícia, em momento nenhum, foi veiculado se o suposto assassino tinha ensino fundamental concluído ou por concluir, se tinha ensino médio completo ou não, muito menos se ele tinha curso superior. Qual o motivo desse comentário?
Sinceramente não consegui compreender porque encerrar uma notícia sobre um crime hediondo (não sei se é essa a qualificação correta legal do ocorrido, mas para mim é!) com esse tipo de comentário no mínimo "sem noção", como dizem os adolescentes.
Enfim, nós que não temos acesso a TV por assinatura, ficamos reféns de programas chatos, repetitivos, quando buscamos na televisão alguma informação, acabamos nos sentindo mal informados.
Será que existem as "pérolas" do jornalismo?

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