Tempo, tempo, tempo...

Quem não pensa ou não fala sobre o tempo? Vivemos correndo atrás dele. Vivemos contanto seus dias, suas horas, seus minutos. Vivemos constatando todos os dias como ele parece cada vez mais curto. Como ele parece tão mínimo quando fazemos algo que gostamos. Ao contrário como ele demora passar quanto estamos em um leito de hospital, ou ainda fazendo algo que não gostamos. Imagino como deve ser longo o tempo para aquela criança, num dia de sábado ensolarado, ele sentadinho, sentindo o brilho do sol nas costas, enquanto ouve o Professor de Inglês relembrando o verbo to be.
Não me preocupava com ele, quando criança, afinal para mim parecia eterno, passava devagar...
Há alguns anos um amigo, mais velho que eu, talvez uns 15 anos, quase perto de se aposentar, me disse, em meio a uma conversa trivial, “Trabalhei muito sempre. Agora vejo que passei inúmeras horas fechado, sem ver o sol, sem fazer as coisas que gosto.” Após esta fala continuamos falando disto, da incoerência da vida, dos contrastes. Trabalhamos muito, buscando, talvez, um dia podermos usufruir o tempo para o ócio, o prazer, a falta de compromisso. Quando chegamos à aposentadoria, muitos, não têm mais saúde para ver o tempo passar, curtir o tempo para fazer nada, curtir uma viagem... O tempo passou!
Muitos autores falaram sobre o tempo. Meditaram sobre ele, filosofaram. Destes encontrei alguns pensamentos que compartilho aqui:

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Fernando Pessoa

“A vontade é impotente perante o que está para trás dela. Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade.” Friedrich Nietzsche

Gostei de ambos. Mas Nietzsche é muito feliz ao falar da impotência da vontade ante o tempo passado, bem como da angústia de não poder destruí-lo, nem ao mesmo sua avidez.
É esta avidez de passar, ir nos deixando para trás. Nós, cada dia mais, mais velhos, com menos dias de vida, com mais incômodos de saúde, mas ele... ele não. Ele é um jovem, um jovem, que se renova todos os dias, que renasce e não sente o peso dos anos, décadas, séculos.
Tal como a fênix, ele também se refaz, incólume diante de todos os humanos, cuja vida os vai engolindo, deglutindo, tal como o Cronos, também nos devora para não termos tempo, para inventar algo que possa pará-lo.
Até mesmo as escrituras sagradas falam do tempo. Quem não conhece  “Existe um tempo próprio para tudo, e há uma época para cada coisa debaixo do céu:um tempo para nascer e um tempo para morrer; um tempo para plantar e um tempo para colher o que se semeou...”?
Nunca esgotaremos este assunto, afinal o tempo passa, mas as pessoas mudam, novas ideias e inquietações surgem.
Qual é o seu tempo? O que faz com ele? Tem usado bem? Tem utilizado para tentar ser feliz? Tem feito as coisas que gosta? Tem usufruído o tempo com quem você mais gosta?
Estas são as minhas inquietações... São as suas também?


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