sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Os professores do Ceará e a democracia


Ontem assisti uma reportagem falando de mais um capítulo da greve dos professores no Ceará.
Neste capítulo, os professores foram até a Assembléia Legislativa de seu Estado defender seus direitos, em uma sessão onde seriam discutidos. Nesta casa, onde se escrevem e aprovam as leis em benefício do povo (?) foram barrados, proibidos de entrar. Não apenas isto, chamaram a polícia, que reprimiu violentamente uma manifestação do povo. Muitos destes policiais, com certeza, foram alunos destes, ou de outros, professores, mas mesmo assim usaram da força física, bruta, agrediram pessoas que ali estavam para acompanhar uma discussão em uma sessão pública.
Muitos de nós, professores, já passaram por situação parecida em seus Estados. Ao lutar pelos seus direitos, ao ficar em greve, sofrer agressão da polícia, ser recebido com a tropa de choque e os cachorros, com bomba de gás lacrimogênio.
Não, não estou descrevendo uma situação de guerra. Não estou descrevendo uma situação contra terroristas!
O que estou descrevendo são situações que acontecem em um país que se diz DEMOCRÁTICO, que há pouco tempo tinha entre seus slogans “Brasil: um país de todos e de todas”
Mas o que é democracia? O que significa esta palavra?
democracia
de.mo.cra.ci.a
sf (gr demokratía) 1 Governo do povo, sistema em que cada cidadão participa do governo; democratismo. 2 A influência do povo no governo de um Estado. 3 A política ou a doutrina democrática. 4 O povo, as classes populares.
Segundo o dicionário Michaellis, um de seus significados é governo do povo; sistema em que cada cidadão participa do governo.
Mas participar de que forma? Somente pelo voto? Basta votar e “deixar rolar” ?
Estes professores tentaram participar ATIVAMENTE da discussão, da votação, e o que aconteceu? Polícia neles!!!!
Isto lembra os tempos da repressão? Só faltaram os cavalos! Porque a truculência, a brutalidade estava ali.
Cadê os manifestantes que aos milhares vão à passeata pela liberação da maconha? Cadê as pessoas, cidadãos, que se reúnem aos milhares nos estádios de futebol para gritar, torcer, sofrer pelo seu time?
Será que estes sabem o que é democracia? Será que sabem quando o sistema está desrespeitando os direitos dos cidadãos?
A Educação é isto, somente ela é capaz de levar o ser humano a pensar, a questionar, a criticar.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Nova novela das seis e as crianças


Novela das seis. Primeiro capítulo. Cenas belíssimas da paisagem do Sul. Cenas com o casal protagonista no melhor estilo de um filme famoso, onde duas crianças ficam presas em uma ilha paradisíaca, lembram-se deste filme? A Lagoa Azul.  O casalzinho, criados juntos, mas não irmãos, descobrem o amor. Esta também é a tônica da novela.
No primeiro capítulo o casalzinho da novela também nada em uma lagoa paradisíaca, azul, mocinho de samba-canção, mocinha de camisola transparente ou camisete, não importa! A transparência mostrando os seios fartos, desnudos, o corpo.
A que veio a novela? Será que teremos no decorrer dos capítulos a belíssima paisagem do Rio Grande do Sul? Ou voltaremos aos capítulos gravados em estúdio?
Os “mocinhos”, jovens apaixonados, que sofrerão muito por viver um amor condenado pela família, continuarão juntos? O amor sobreviverá?
As cenas com belos corpos expostos no horário das 18h00 terão sequência?
Não sei se observaram, mas sumiram das telas de tv aquelas tarjas verdes, vermelhas, amarelas, que indicavam a faixa etária dos programas.
Você que assiste (está assistindo esta novela) deixaria seus filhos (as) menores assistindo a estas cenas? Você as considera adequadas para o horário?
Muito se tem falado das consequências da erotização das crianças, mas e nós com isto?
Há algum tempo assisti a uma palestra da Lidia Aratangy, na qual ela falava que os pais se esqueceram de que a TV tem um botão “power” (liga/desliga).  
Trabalhei em uma escola, há uns anos atrás, onde tivemos problemas com crianças de primeira série com um comportamento muito “avançado” para a idade. Uma sexualidade bastante aflorada. Conversando com uma das mães, descobrimos que a criança tinha tv à cabo no próprio quarto, que os pais iam dormir, segundo ela verificavam se a criança dormia.
Conversando com outra mãe, do mesmo grupo de crianças, descobrimos que este comportamento já vinha acontecendo na creche, instituição assistencial, de onde os alunos vinham.
Será que os pais pararam para pensar que criança é curiosa? Que criança pode, após os pais se deitarem, religar a tv e assistir programas inadequados para a idade dela?
E a novela?
É a mesma situação! Quem pode dizer se a criança pode assistir ou não são os pais/responsáveis por ela.
A televisão lança mão de muitos artifícios para prender seu público, seja ele composto de homens, mulheres, crianças.
Cabe a nós apertar aquele botãozinho mágico: LIGA/DESLIGA!

sábado, 24 de setembro de 2011

Algumas palavras sobre Educação


Não gosto de ficar opinando sobre Educação, mas acabei de ler um texto de um jornal de Barbacena-MG, onde em vários parágrafos ou autor tece inúmeros comentários elogiosos às fantásticas escolas particulares, onde, segundo ele, os professores são ótimos, tem talentos adicionais, que usam em suas aulas no “palco” da sala de aula.
E não para por aí. Acho que o que falta dizer, não deve ser diferente lá, é que muitos dos professores que atuam nas escolas particulares, também atuam nas redes públicas.
Que há professores nas redes públicas que se esmeram para fazer o melhor. Há professores que tocam violão e cantam, adaptando seus conteúdos para os tornarem mais atraentes aos alunos.
Há professores que fizeram mestrado no Brasil, cursos no exterior, que escreveram livros, que desenvolvem projetos inovadores.
Mas por que não se falam destes profissionais? Porque estes trabalhos não aparecem?
Porque a mídia precisa de acontecimentos que chamem a atenção, que causem impacto. Quais foram estes acontecimentos relacionados à Educação?
Acredito que também se lembrem de alguns.
O rapaz que entrou na escola onde estudara, atirou em alunos, professores, depois se matou.
O garotinho, que esta semana, atirou na professora e depois atirou na própria cabeça.
O aluno de quatro ou cinco anos, que no ano anterior, levou uma arma pra escola, acabou matando um coleguinha, enquanto mexiam na arma. Não se falou mais no assunto, pois envolvia uma escola particular.
Se digitar aluno mata professora ou aluno mata aluno no Google verá a quantidade de notícias a respeito, em todos os Estados, cujas notícias se encontram nos grandes jornais impressos e on line.
Se fizer outra pesquisa colocando “professor de rede pública ganha prêmio”, verá que os resultados aparecem, em sua maioria, nos sites institucionais, ou seja, dos governos dos Estados, não aparecem nos holofotes da mídia, não aparecem nos grandes jornais, nem nos jornais regionais.
Mas por que isto acontece?
Pense... pense... pense....
Conheci, conheço, profissionais sérios, que trabalham sério na Educação onde quer que estejam.
Conheci uma Diretora, que atuou dezesseis anos em uma mesma escola, conseguiu neste período transformá-la em uma das escolas mais buscadas pelos pais de uma cidade de grande porte, onde haviam outras cinquenta escolas públicas. Séria, rígida, trabalhava muito, todos os dias. Cuidava se os funcionários da secretaria atendiam bem o público, se o atendimento era feito com Educação e eficiência. Não ficava na sala dela, sentada.  Se ouvia um barulho diferente na hora do intervalo, que sugerisse alguma briga, saía rapidamente da sua mesa na secretaria e se dirigia para o pátio, verificar o que acontecia, se precisa intervir ou se o inspetor daria conta. 
Conheci uma outra diretora, que passou por praticamente todos os cargos na escola, secretária, professora, vice-diretora, até se efetivar como diretora. Não se apertava! Conhecia tudo de pagamento de professores, vida de aluno. Falava com calma, voz mansa, mas trabalhava seriamente, comprometida com a escola, professores, alunos.
Estas duas pessoas são alguns exemplos dos profissionais que existem por aí, que anonimamente, diariamente, comprometidamente trabalham pela Educação deste País.
Infelizmente estes profissionais não são notícia!!!!

sábado, 17 de setembro de 2011

O que são nossas lembranças? Imagens? Sons? Cheiros?


Há memórias que são ativadas por cheiros, sons, imagens, músicas, sabores. Todos temos esta capacidade de ativar com uma destas sensações memórias há muito esquecidas, que a um simples toque, um cheiro que toca seu nariz, entra pelas narinas, vai até o cérebro e pronto, se fez a mágica! Surge aquele imagem nítida de algo vivido há pouco ou muito tempo. Neste momento se fecharmos os olhos, poderemos sentir tudo que envolveu aquele momento: o vento, o perfume, o arrepio, o toque, a música.
Também sinto isto! Há pouco ouvia uma música, antiga, “Moendo café”, que me trouxe lembranças especiais. Quando criança em uma festa da escola, acho que do folclore, dancei esta música vestida com um vestido marrom e com delicadas flores amarelas, um chapéu de palha, uma peneira enfeitada com fitas amarelas, ao som desta música, eu e mais várias colegas de turma desenvolvíamos uma coreografia que tinha a ver com a música, com a história do Estado do Paraná, e de minha cidade natal, a cultura do café, que por décadas foi o ouro de nosso Estado.
E os gostos? Quando criança comia sempre com um fio de azeite, o que mantenho até hoje, mas o gosto do azeite, aquele da infância, o cheiro dele... não são os mesmos de agora! O que mudou? Não sei.
E o cheiro? Moramos por um tempo em uma chácara, onde havia várias mangueiras atrás da casa, que faziam uma deliciosa sombra, que amainava o calor escaldante do verão terrariquense, mas o cheiro das mangas maduras então... manga manteiga, manga espada. Nunca esqueci!
As imagens então... são tantas! Na mesma cidade, para irmos à chácara de um tio, passávamos por uma estrada de terra comprida, ladeada de pequenas propriedades, mas uma delas era especial, chamava muito minha atenção. Era a chácara Primavera. No portão de entrada havia um enorme pé de primavera, que subiu sobre um tablado de madeira. Mas não era isto que me encantava! Diante da casa, que ficava mais no fundo da propriedade, havia um jardim com cogumelos pintados de vermelho com bolinhas brancas, os anões da branca de neve, se não me engano. Eu achava aquilo lindo! Aqueles cogumelos bem vermelhos se destacavam no gramado verde! Parecia um outro mundo, um mundo de faz de conta, um mundo mágico.
São tantas sensações, imagens, cheiros... com certeza você, leitor, tem os seus. Talvez neste exato momento esteja relembrando-os ao ler este texto. Se estiver, aproveite!
  

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Recentemente após certa postagem no facebook, duas respostas em tom de gracejo, me deixaram extremamente irritada! Ambas davam a entende...

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