SERÁ QUE NOS CONHECEMOS?

Outro dia ouvi uma colega dizendo que ouviu um psiquiatra falar a respeito da mudança de hábito trazida, no comecinho dos anos 70, pelo advento da televisão do Brasil. O Especialista dizia que antes da tv, nos lares brasileiros, os sofás ficavam um frente ao outro, porque essa disposição permitia as pessoas conversar, se ver, se olhar nos olhos. Quando a televisão chegou as nossas residências a primeira coisa mudada foi a disposição dos sofás, que agora se viraram para esse aparelho tão maravilhoso. Ainda nessa época era comum as pessoas se visitarem, como também se reunirem para, juntas, rezarem o terço. Isso também se perdeu, porque com a chegada desse novo ente familiar os vizinhos deixaram de ser bem vindos, porque passaram a atrapalhar a família assistir o Jornal Nacional (naquela época já tinha esse nome), assim como de ver o capítulo imperdível da novela das oito!
Passamos a não conhecer, nem a dialogar mais com nossos vizinhos. E o que acontece atualmente com o surgimento da internet?
Um paradoxo: temos a oportunidade de reencontrar e rever amigos de décadas atrás, de conhecer novas pessoas, de conhecer países e pessoas do outro lado do Atlântico, mas a mesma ferramenta que aproxima uns, distancia outros. Como distancia? Os adolescentes acham "mais legal" ficar horas diante da tela do computador no MSN e no Orkut falando com estranhos, do que falando com seus pais, irmãos, tios e tias. E o diálogo com a família? E o conhecer seus pais? E como os pais conhecerão os seus filhos? Como se fortalecerão os relacionamentos?
Enfim com o computador e a internet está acontecendo quase o mesmo que aconteceu com a chegada da Tv, mas muito mais grave, pois agora não são apenas os vizinhos que estão do lado de fora, são nossos filhos que estão nos deixando do lado de fora!

Comentários

Anônimo disse…
Catléia, por ter vivido todos os passos descrito, tenho autoridade de fazer meu depoimento a respeito de suas palavras.
Às vezes sinto que o avança da Tecnologia não pode ser acompanhada pelo avanço das reações Humana.
Tenho cá minhas duvidadas se isso e possível. Cabe a nos que tivemos a oportunidade de escolha lembras aos menos avisados de sua fantástica utilidade, mas sem esquecer sua permissividade.
Um admirador