domingo, 19 de julho de 2015

Brotos de feijão


Já vi diversas vezes pessoas, que encontraram “coisas” na comida em restaurantes. Eu mesma já vivenciei esta experiência algumas vezes. Já vi amigos, durante almoços, durante a semana, nos quais íamos em um  pequeno grupo passarem por isto também.
Você que está lendo, pode estar pensando “Será? Isto não acontece com tanta frequência.” Ou então “Só acontece em cidades pequenas em infraestrutura, sem grandes restaurantes.” ou ainda “Isto só acontece em cidades sem vigilância sanitária”.
Vamos provar, neste texto, que isto não é tão raro, que ocorre em cidades de médio, grande porte.
Morei em uma cidade do Grande ABC durante quase duas décadas. Durante certa época trabalhei bem próximo do centro da cidade, onde íamos almoçar, frequentemente, em um grande restaurante localizado em uma grande e movimentadíssima avenida.
Começamos, por necessidade, a comer no único restaurante mais próximo do nosso local de trabalho. Não demorou muito e passamos por estas experiências desagradáveis de encontrar seres e objetos indesejados na comida.
Certa vez estávamos em um grupo de umas quatro ou cinco pessoas. Todos nos dirigimos ao balcão quente, nos servimos, em seguida, nos servimos de saladas. Começamos a almoçar e uma garfada aqui, uma risada, outra garfada, um  comentário, uma piada... De repente uma colega olha horrorizada para o prato! O que ela viu? Um grande “bigato” saindo da salada!  Um dos amigos, mais explosivo, já chamou o dono, contou o que houve, em alto e bom som, e mostrou o habitante encontrado na salada. O proprietário pediu mil desculpas e não cobrou o almoço da colega, claro.
Tempos depois, no mesmo restaurante, mais ou menos o mesmo grupo feliz naquele horário sagrado do almoço e do “relax”. Mesmo ritual: balcão quente, salada, carnes. Todos ao redor da mesa. Conversa vai, conversa vem. De novo! Comigo! Não, desta vez não foi uma larva. Desta vez encontrei um longo cabelo preto enrolado na couve refogada. Novamente nosso amigo, chamou um dos donos do estabelecimento, contou o ocorrido, em bom e audível som. Mostrei o cabelão. O comerciante pediu mil desculpas, alegou que o cabelo poderia ter caído no momento, em que as pessoas se serviram, pois eles, funcionários, tinham o maior cuidado com a higiene das hortaliças.
Por falta de opções continuamos almoçando no mesmo lugar, mas acho que os donos do restaurante passaram tanta vergonha, que a higiene melhorou, daí por diante não tivemos mais este tipo de aborrecimento.
Mudei de cidade e comecei a frequentar certo restaurante perto do meu novo local de trabalho. Passou certo tempo, o local passou por reformar, ficou tempos fechado. Quando retornou a funcionar, claro, voltei a frequentá-lo. Estava mais claro, mais bem iluminado, com uma estrutura melhorada, atendimento idem.
Você poderia pensar “Com tudo isto, não aconteceria nada errado neste lugar.”
Eu também pensava assim. Um dia, almoçando sozinha, passei pelo balcão térmico, peguei minha comida, em seguida a saladinha, a carne, pesei tudo e fui feliz para a mesa, aproveitar este momento de deleite gastronômico. Que aconteceu? De novo encontrei um cabelo na comida. Respirei fundo. Chamei a garçonete. Contei o que aconteceu. Mostrei o cabelo. Ela pegou o prato e o cabelo e foi conversar com a filha do proprietário. Em seguida levou o prato embora. Retornou e veio me perguntar se eu gostaria de me servir novamente. Rapidamente olhei para ela e perguntei se havia mudado toda a comida do balcão, pois se era a mesma não adiantaria. Havia perdido o apetite!
Hoje, de novo, em outro restaurante, um mais “chique”, bem conhecido na cidade, fui almoçar. Por dois motivos: estava com fome e fazia tempo, que não almoçava no referido estabelecimento. Me servi, como de costume, mas desta vez caprichei mais na salada. Peguei uns brotos, que gosto muito. Peguei uma porção de brotos de feijão, que gosto muito, outra porção de outros brotos e outros alimentos quentes. Fui para minha mesa, comecei a comer vagarosamente, seguindo os conselhos de minha amiga, Regina. Comecei por onde? Pelas saladas. Comecei a mastigar os brancos e tenros brotos de feijão. Me servi em pequenas garfadas. Uma garfadinha. Mastiguei. Outra garfadinha. Mastiguei. Mais uma garfada. Comecei a mastigar... senti algo raspando minha garganta! Segurei a “coisa” com os dentes e peguei-a com meus dedos. Olhei-a fixamente! O que era? Um araminho, encapado de plástico branco, de fechar embalagens plásticas, comuns em embalagens de pães, por exemplo. Havia pedido um suco, neste momento, chegou a mocinha com ele. Entregou o suco e já disparei “Quero fazer uma reclamação!”. Peguei o araminho, mostrei para ela, dizendo que havia encontrado aquilo no meio dos brotos de feijão. Ela imediatamente pegou o objeto, levou até o balcão, conversou com outras pessoas, mas não retornou até minha mesa. Terminei de comer, me levantei, quando estava próxima da porta a mesma mocinha, se aproximou e pediu mil desculpas, disse que o meu almoço seria cortesia do restaurante. A cortesia incluiu até  um chocolate!
Fico imaginando se eu tivesse engolido o tal do arame? O que isto poderia ter me causado?
Por que conto estas coisas? Porque pelo exposto vemos que a higiene nos estabelecimentos, que vendem e manuseiam produtos alimentícios precisa ser melhorada!
Se em estabelecimentos grandes e muito frequentados acontecem as situações relatadas, imaginem em outros menores...
Deixo também aqui algumas perguntas para nos questionarmos: onde estão os órgãos de vigilância sanitária? O que estão fazendo? E os proprietários destes estabelecimentos? Se optaram por trabalhar com produtos alimentícios manipulados diariamente, por que não se preparam e preparam adequadamente suas equipes para não ocorrer estas situações?


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Parceria pela leitura e escrita!

Vejo e leio muita gente opinando sobre educação, em especial, jornalistas, que opinam sobre tudo. Nada contra, mas não vejo, com frequência, professores se metendo no ofício dos jornalistas.
Mas meu assunto aqui não são críticas a estes profissionais. O assunto aqui é educação. Por quê? Porque estou neste meio, há mais de vinte anos, além de duas Faculdades, uma delas bem específica, duas pós graduações, uma delas com foco em gestão educacional, outra em gestão da rede pública, tenho formação inicial magistérios das séries iniciais, mais tarde, fiz um curso, de quase 400 horas, específico sobre alfabetização com foco nas teorias de Emília Ferreiro, que foram sistematizadas, por aqui, em programas para os Governos Federal e Estadual como o Letra e Vida, atualizando a formação dos professores objetivando que estes pudessem compreender estas teorias, conseguir aplica-las em sala de aula, desta forma melhorando a aprendizagem dos alunos, consequentemente a alfabetização plena nos primeiros anos do ensino fundamental I.
Além do currículo acima, que me forneceu conhecimentos para tratar deste assunto, sou observadora da vida, das pessoas ao meu redor, de acontecimentos, que chamam minha atenção.
Tal como Jean Piaget, que observava seus filhos, desta forma foi elaborando suas teorias sobre a aprendizagem da criança nos primeiros anos de vida, também observo meus sobrinhos e sobrinhas, porque estão passando ou já passaram por esta fase anterior à escola e a fase dos primeiros anos escolares, da aprendizagem da leitura e da escrita, da alfabetização.
Tenho sobrinhas que estão no terceiro e quarto anos do ensino fundamental. Ambas alfabetizadas, lendo e escrevendo, claro, que com alguns problemas ortográficos, o que não é um grande problema, pois neste momento estão adquirindo conhecimentos formais sobre a língua escrita, que, como sabemos, a língua culta é diferente da falada, no nosso caso, a Língua Portuguesa, tem muitas regras, muitas exceções, o que confunde adultos e crianças em especial.
A que está no terceiro ano adora ler, o que é muito bom, pois por meio da leitura ela amplia seus conhecimentos sobre a língua culta, adquire e amplia seu vocabulário, o que influenciará sua fala e sua escrita. Além das leituras obrigatórias, indicadas pela escola, cujos livros são adquiridos pelos pais, são lidos no decorrer do ano, ela também realiza outras leituras, por prazer.
Ambas estudam em escola particular, que não é das famosas da cidade, nem das mais caras. Pelo que já pude perceber, observando as provas feitas por elas, atividades nos cadernos, o ensino é tradicional, o que equivale a dizer, que valoriza o armazenamento de informações, a educação bancária, conforme denominou Paulo Freire, ou seja, aquela que acredita que o aluno é um receptor de informações, portanto o professor vai depositando-as ali, sem haver uma preocupação se houve entendimento ou não, foco é a quantidade.
Nesta escola as turmas são pequenas, têm cerca de dez alunos em cada uma, o que permite ao professor um acompanhamento próximo da aprendizagem dos alunos, mas mesmo assim, com este número reduzido, há problemas disciplinares.
O que há de diferente, então? Estive em uma reunião de pais, na qual percebi a presença de todos, pais ou mães.
O que percebo na educação de minhas sobrinhas? O que gostaríamos que todas as crianças tivessem: acompanhamento da família, aqui, coloco a palavra família, sem querer usá-la em seu sentido tradicional. Família entendida aqui como os responsáveis pela criança, seja o pai, a mãe, ambos ou a avó, dois pais, duas mães... O tipo de família não importa, o que importa, sim, é a atenção e a educação dadas ao ser em formação: a criança.
Minha cunhada acompanha a educação de ambas de perto. Quando digo acompanha, não é simplesmente olhar os cadernos e perguntar se o dia de aula foi bom. Ela coloca as meninas para fazer suas tarefas, assim que chegam da escola; acompanha se estão fazendo ou não. Quando têm alguma dificuldade, não sabem  bem o que fazer, ela senta-se ao lado delas, pede que leiam novamente a questão, pergunta o que entenderam, assim vai auxiliando-as.
Ela também participa das reuniões de pais, pois meu irmão não tem a possibilidade de acompanhá-las sempre, por trabalhar em outra cidade, com horários nada flexíveis.
A escola é perfeita? Não, porque escola perfeita não existe, pois é uma instituição criada, organizada, administrada por seres humanos, todos sujeitos a falhas.
Há cerca de dois/três anos uma professora de uma delas não vinha desempenhando bem a função dela. Após reclamações dos pais a professora foi trocada por outra.
Na reunião da qual participei, foram entregues as avaliações do bimestre de todos os alunos, assim os pais/responsáveis puderam vê-las, fazer perguntas sobre as mesmas. Questionei uma das avaliações de minha sobrinha, pois a nota era “X”, havia questão sem corrigir. A Professora presente na reunião, não era a docente da disciplina, portanto não soube responder. Informei minha cunhada a respeito, para buscar junto à Direção da escola sanar este problema de correção incorreta da avaliação.
Não quero dizer que os professores da escola não estão fazendo bem o seu trabalho, mas que a parceria com a família é imprescindível. Por quê? É na família que são feitas as tarefas escolares. É na família que se colocam horários e rotinas de estudo. Claro, que a escola também faz isto, mas sem o estudo em casa, muita coisa ficaria a desejar.
Nestes primeiros anos de escolaridade a criança adquire habilidades e competências, que serão utilizadas pelo resto de suas vidas. Quero salientar, dentre estas, as competências leitora e escritora. É por meio da leitura, que se tem acesso aos conhecimentos de todas as disciplinas e áreas. A criança que lê fluentemente não perderá informações durante a leitura, o que o ocorre com a criança, que lê aos “soquinhos”, de forma truncada, silabando.
Outra atividade que colabora para o enriquecimento vocabular das crianças é ouvir histórias desde muito cedo. Além de ampliar o vocabulário, esta atividade contribui para que a criança vá se apropriando do texto narrativo, mesmo antes de saber ler. Ela aprende, por exemplo, que muitas histórias começam com “Era uma vez...”, depois passam a contar suas próprias histórias utilizando esta frase. Aprendem também que um texto narrativo tem começo, meio e fim; que tem personagens; que há os personagens bonzinhos e os maus; que a história tem uma sequência de acontecimentos.
Quando a criança ouve e/ou lê histórias, também estará internalizando todos estes conhecimentos, que utilizará para elaborar suas próprias histórias, bem como terá estimulada sua criatividade, pois enquanto ouve alguém contá-las, precisará ir imaginando os personagens tal como são descritos; imaginar as paisagens, onde se passam os contos de fadas, fábulas, contos, crônicas.

Obs. Neste mesmo blog tem diversos textos, que tratam da aprendizagem da leitura e da escrita. Para consultá-los, basta ir até a barra do lado esquerdo em “pesquisar neste blog”, digitar o assunto e mandar pesquisar, serão exibidos todos os textos sobre este assunto.




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