História das cidades, memórias das pessoas

Tenho escrito alguns textos falando sobre as cidades, em especial, sobre Botucatu. Em um deles publiquei algumas fotos da cidade, de alguns prédios públicos do Centro Histórico, mas a história desta cidade está impressa em muitos outros prédios particulares, que se espalham pelas ruas próximas ao centro. Muitos com belas fachadas se encontram na Amando de Barros, outros que já foram residências, estão se transformando em comércios, sendo reformados (não restaurados) ou derrubados... Que tristeza!
Ainda não há, aparentemente, uma preocupação da sociedade local em preservar estas construções particulares, pois em alguns casos, percebe-se que são "abandonadas", passam por um processo de deterioração, logo em seguida vê-se no local máquinas derrubando o que antes era uma construção impregnada da história local, bem como das influências arquitetônicas de outras épocas, visíveis nos detalhes das fachadas, das janelas, dos telhados. Não sou especialista em arquitetura, nem em história, apenas uma pessoa que observa, registra, que conheceu histórias parecidas de outras cidades.
Residi muito tempo em uma cidade do Grande ABC, onde houve este processo, quando o poder público se deu conta, não havia muito mais o que preservar. Em outra cidade da mesma região o Poder Público, Prefeitura, com um conselho histórico montado, registrou a história das construções, tombou-as, mas em sua maioria eram prédios públicos.
Todas as cidades passam por mudanças, que acontecem por diversos motivos, entre eles: pressão imobiliária, renovação de prédios, avenidas, novas necessidades de melhorias na infra-estrutura, resgate de espaços degradados. Mas sejam quais forem as mudanças e as necessidades, não poderíamos coordená-las de tal forma a não prescindirmos de nossa memória e de nossla história?
Muitos viajam a Grécia, Roma, Paris, Lisboa e outras tantas cidades europeias justamente para ver e usufruir de monumentos históricos, em alguns casos, bairros inteiros. Se gostamos tanto da história de outros povos, porque não valorizamos a nossa própria história e o nosso próprio patrimônio histórico? 
Há algum tempo havia na TV uma propaganda que falava justamente disto. Esta peça publicitária contava com a participação da Fernanda Montenegro, que a encerrava com esta frase "Um país que não tem memória não sabe o país que é." Encerro meu texto com esta reflexão, a meu ver, bem atual. Também deixo algumas imagens das construções citadas no texto.


http://www.youtube.com/watch?v=qWT1gnatk1A



Mais imagens de prédios da cidade.

















Comentários

Ivan Leite disse…
Delfiol, realmente é triste, ver prédios se deteriorarem ou serem derrubados sem um mínimo de atenção à memória do passado. Sou a favor da preservação em que ambas as partes saiam ganhando, tanto o dono do prédio, quanto o poder protetor,não sei como seria isso, mas é urgente que isso aconteça.
catléia disse…
Prof. Ivan, muito obrigada pelos comentários, pela visita! É sempre bom saber que os textos que escrevemos, são lidos, causam reflexões, que também são as nossas.