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João Delfiol Construções

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Massacre no Rio e Filhos de Políticos nas Escolas Públicas

Esta semana após o massacre de alunos em uma escola do Rio de Janeiro temos tido uma vasta gama de reportagens, que ficaram (ainda estão) repetindo à exaustão as imagens da escola, do assassino entrando na escola, das pessoas fugindo desesperadas, depoimentos de pais de alunos mortos e alunos sobreviventes contando mais detalhes daqueles instantes terríveis.



O que tudo isto causou? Em algumas escolas o pavor dos pais ou responsáveis que, se não o faziam (a maioria não faz), passaram a levar seus filhos, netos, sobrinhos na escola.


Além disto, o que mais?


O pânico destas pessoas, que pressionadas diariamente nos jornais nacionais, regionais, por estas imagens de uma verdadeira chacina, acabam sentindo como se isto fosse acontecer, o tempo todo, em todas as escolas do Brasil.


Além dos depoimentos dos familiares, são veiculados, claro, depoimentos das autoridades da Educação no município do Rio de Janeiro e do ministro da Educação, lamentando o fato, prometendo auxílio aos alunos, familiares, auxílio psicológico para superar o trauma. Falaram também que as escolas mais seguras são aquelas abertas à comunidade, aos pais, alunos, ex-alunos. Mas e a Escola dos filhos das autoridades é assim aberta a todos?


Nas escolas particulares mais tradicionais (e mais caras) há seguranças na entrada, no portão, do lado de fora da escola, vestidos como “os homens de preto”, se comunicando o tempo todo, no interior estão as catracas, nas quais passam os alunos que estão de posse de seus cartões, ou são liberados pelos funcionários que ali estão. Existem também câmeras de vídeo para vigiar o interior e o exterior do prédio, desta forma tudo está no foco do “Big Brother”.


Além da segurança, muitos funcionários para manter o ambiente limpo, impecável, como se lá não estivessem crianças e adolescentes, que jogam lixo no chão, que mascam chiclete e pregam na carteira... nada disto é percebido.


Por que para o filho do pobre, do povo, a Escola não precisa ter segurança? Por que nem o município por meio da Guarda Municipal não cuida da segurança da geração do futuro? Estou sendo injusta, tem municípios, que fazem isto, mas só cuidam dos alunos da escola municipal. Será que o cidadão, morador da cidade, muda de município quando adentra os muros de uma escola estadual?


Mas voltemos ao nosso foco... os filhos dos políticos. Há um excelente Projeto do Cristovam Buarque, político também, ex-ministro, que propõe que os filhos de políticos, TODOS, sejam obrigados a estudar na escola pública, pois, acredita ele (e eu também), que desta forma eles, os políticos, olhariam a escola pública com mais carinho, mais cuidado, claro, pensariam no bem estar dos seus filhos, isto, a meu ver, incluiria pensar na segurança das Escolas.


Como diz o nome é um PROJETO, como sabemos, quando ele passa pelas comissões, frases são cortadas, palavras são substituídas, por exemplo, um “OBRIGATORIAMENTE”, se transforma em “PREFERENCIALMENTE”, o que não quer dizer a mesma coisa.


O citado projeto diz, em sua justificativa, entre outras coisas que:


“Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas. Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios.



Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos.”



Acredito que mesmo assim vale a pena conhecer o Projeto, pressionar para que seja votado, tal como está. Sem mudanças, sem meios termos, sem palavras dúbias, termos estapafúrdios.





Quer conhecer o projeto? Então acesse:

http://www.cristovam.com.br/portal2/index.php?option=com_content&view=article&id=2540:projeto-obriga-politico-a-matricular-filho-em-escola-publica-ms-noticias-180209&catid=19&Itemid=100056

Comentários

Ivan Leite disse…
Delfiol, descontadas todas as dores dos envolvidos nessa tragédia, parece que só com ela é que a mídia televisiva e escrita trazem à tona a discussão sobre a segurança no ambiente escolar.Suas palavras trazem argumentos fortes para balizar essas discussões,pois o 'sistema' todo precisa ser revisto urgentemente.
Mais um texto consciente,parabéns.
catléia disse…
Prof. Ivan, muito obrigada por acessar meu blog, ler meus textos e comentá-los. Isto é um "empurrão" para continuar escrevendo e tentando melhorar sempre!

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