quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ver e Educar


Acabei de ler uma apresentação, das tantas que recebemos por e-mail diariamente, que trazia algumas frases do Rubem Alves.
Frases sobre crianças, professores, alunos, sobre aprender a ver.
Uma delas falava do assombro da criança, quando guiada pelo adulto, vai aprendendo a ver as coisas desse mundo, mais que ver vai aprendendo a representar essas coisas por meio das palavras.
Vendo essa apresentação muitos pensamentos me vieram à mente, como uma enxurrada de idéias, mas a mais marcante foi a visão de um dia na varanda com minha sobrinha, Gabriela, que agora tem quase três anos.
Uma tarde, eu e Gabriela, menor ainda e que quase não falava, mas já entendia, já sentia... Muito bem! Estávamos as duas na varanda, eu segurando-a no colo, em uma tarde preguiçosa, de um dia de verão, quando de repente começou a soprar um vento mais forte, muito gostoso. Quando falei pra ela: olha, sente o vento!!! Ela se curvou para a frente, como se fosse voar, abriu os bracinhos, fechou os olhos, e... sentiu aquele vento delicioso acariciar sua pele pela primeira vez!!!
Não me lembro das minhas sensações, quando criança, mas vendo o prazer da Gabi ao provar pela primeira vez o carinho do vento na sua pele, nos cabelos, imaginei que eu provavelmente teria tido essas sensações: de prazer, de descoberta.
Concordo com Rubem Alves quando ele diz que ““Educar é mostrar a vida
a quem ainda não a viu.”
Nós, professores e educadores, precisamos nos retro-alimentar diariamente desse desejo e desse prazer de mostrar a vida a quem nunca a viu, não apenas aos nossos filhos ou sobrinhos, mas ter em mente que como professores também temos esse papel!
Encerro esse texto concordando com Alves quando disse que ““Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas esqueci.Mas nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore ou para o curioso das simetrias das folhas.”

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Eleições e a Lei de Gérson

O segundo turno das eleições, diferente do primeiro, foi tranqüilo, pois minha rua ficou limpa, sem o monte de sujeira jogado pelo chão, sem o grande volume de pessoas fazendo boca de urna. No primeiro turno, a rua ficou repleta de contratados dos candidatos fazendo boca de urna, mesmo sendo proibida por lei, como é do conhecimento de todos, inclusive dos próprios candidatos. Essa balbúrdia finalmente acabou, quando a polícia passou e levou boa parte das pessoas, fazendo assim cumprir a lei.
Não tenho nada contra quem trabalha, pois as pessoas trabalham porque precisam, muitos são desempregadas ou então desempregadas há anos!
O que não concordo é com o fato de que os candidatos, que vão nos representar (em tese todos vão) fechem os olhos para a lei, mesmo sabendo que a proibição existe, contratam muitas e muitas pessoas para fazerem as tais bocas de urna, ou seja, aqueles que devem cumprir e fazer cumprir a lei, vão inclusive elaborá-las, são os primeiros a desobedecê-las.
E é aí que começa o problema, pois o "bêbado" que toma conta dos carros na feira, se acha no direito de cobrar o uso de um espaço público (a rua é pública), assim são outros flanelinhas, que quando questionados simplesmente dizem "os outros fazem!".
Nos debatemos diariamente, na Educação, para reverter essa ordem, esse código implícito nas ações da sociedade, que vão servindo de exemplo, que vão dando aos jovens essa consciência errônea, que dia a dia ressuscitam a "Lei de Gérson: gosto de levar vantagem em tudo, certo?"
A maioria dos adolescentes e jovens nem sabem quem foi o Gérson, nem conhecem essa célebre frase que ele disse em uma propaganda de cigarros nos anos 70, que não apenas o marcou, mas ainda marca muitos brasileiros, que se utilizam dessa premissa no seu cotidiano. Como?
Ao passar de carro velozmente o farol verde para o pedestre, quase atropelando quem se atrever a passar na faixa de pedestres.
Ao furar a fila do banco para pagar suas contas, pois ele "precisa", ele não tem tempo, ele tem compromissos... E os outros que também estão na fila não têm?
Ao "mascarar" a declaração do imposto de renda, porque acha que paga impostos demais ao governo, mesmo sabendo que corre o risco de cair na malha fina da Receita Federal.
Poderia ficar aqui dando exemplos de ações que nos indicam que a Lei de Gérson está viva na mente de muita gente, mais que isso guia suas atitudes!
Enquanto isso, nós, vamos lutando contra a corrente, dialogando e tentando provar a adolescentes e jovens que ser honesto e respeitar as leis vale a pena, sim!

sábado, 11 de outubro de 2008

Escola particular X qualidade

Fui participar de uma feira cultural escolar, como muitas outras feiras escolares, nas quais os alunos, orientados pelos professores, pesquisam determinados temas, no dia do evento os grupos dividem-se em salas e cada grupo explica aos visitantes o assunto pesquisado, além é claro, de montarem todo um cenário relativo a pesquisa, que serve como um atrativo a mais para os pais e visitantes.
Andei um pouco pela escola, particular, olhando-a com olhos atentos, críticos, afinal o que tem essa (e outras) escolas particulares, que atraem a classe média ou classe média baixa, se é que existe essa divisão.
No caso dessa escola um dos atrativos é a mensalidade, que não é das mais caras. Mas e o que mais? Em alguns casos, turmas reduzidas de alunos, o que no entanto vai mudando quando a escola começa a crescer, a angariar mais alunos.
Em muitos casos, há escola particulares que funcionam em prédios totalmente adaptados, que antes eram casas, sobrados, que vão sendo comprados, uns próximos aos outros, vão se integrando, virando verdadeiros labirintos. Quais os problemas disso? Alguns problemas são bem evidentes para uma pessoa atenta, tais como: corredores estreitos que dificultam a circulação das pessoas, não se atende a acessibilidade.
Mas e o que mais?
Bom, no caso dessa escola, fomos assistir a uma apresentação na quadra! O que era a quadra de esportes? Um quadrado adaptado, que nem de longe lembrava uma quadra de esportes, pois não tinha o tamaho adequado, não tinha as demarcações dos diversos esportes, não tinha tabela, tinha apenas uma trave em um dos lados, o piso... esse então!!! O piso totalmente irregular, nem de longe lembra um piso de uma quadra de esportes!!!
Mas e o porquê de falar isso?
Temos nessas escolas aqueles cidadãos, que retiram seus filhos das escolas públicas, porque acreditam que colocando-os em uma escola particular terão uma educação de qualidade, que a escola, por ser particular (PAGA!) tem uma estrutura melhor...Esses pais têm orgulho de dizer: meu filho está em uma escola particular!!!
Pobres pais! Que pena que perdem uma chance valiosa de cobrar dos políticos, que eles elegem, melhor qualidade da escola públicas, que eles como contribuintes também pagam, pagam caro, mas é mais cômodo mudar os filhos de escola, fechar os olhos para esses problemas da escola particular que estão pagando!
É claro que os problemas relatados acima não dizem respeito a todas as escolas particulares, mas que "los hay, hay!".

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Evito escrever aqui, neste blog, sobre minha vida pessoal, pois desde   o princípio não tive isto como proposta. Tento evitar também trata...

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