domingo, 19 de junho de 2016

Imagine

Imagine-se trabalhando em uma grande empresa. Bom, não é? Grande, com muita gente trabalhando. Pessoas capazes, muitos técnicos, chefes planejando o cotidiano da empresa e de seus funcionários para que tudo ocorra bem. Para que seus processos se realizem de forma eficiente e eficaz.
Vamos continuar imaginando?
Então imaginem que o chefe maior, o executivo máximo desta empresa, não tem formação específica na área de atuação da empresa. Esqueci de dizer! A empresa em questão atua com algo muito específico, uma única área de atuação. Não produz diversos produtos para abastecer o mercado. Trabalha com um “produto”, cujos resultados dos investimentos virão a longo prazo.
Ainda falando do chefe maior da empresa. Imaginem também, que ele veio de outra empresa, que atuava também com algo muito específico, mas que nada, ou quase nada, tinha em comum com a empresa, onde ele foi trabalhar. Recebeu um convite e... foi!
Imaginemos também, que esta instituição tem outras filiais distribuídas pelo País.
Em tempos de informática, internet, comunicação em tempo real, via whatsapp, Skype, hangout, yammer, Messenger, que a comunicação seria rápida, clara, sem ruídos, o que colaboraria para o PLA-NE-JA-MEN-TO.
Nesta instituição se valoriza muito o planejamento, pois a palavra está presente nos discursos de todos os chefes, sejam aqueles da matriz, ou aqueles das filiais. A todo momento, em todas as comunicações, se resgata o termo, bem como a necessidade e importância de se planejar. Ah, além de se planejar, divulgam o quanto é importante agir, verificar se a ação deu resultado, replanejar diante das informações levantadas, agir novamente, sempre buscando a qualidade.
Você deve estar pensando que, mesmo sendo muito grande, com um nível de organização destes, com tanta preocupação com o planejamento dos processos, tudo ocorra muito bem, ou quase tudo, afinal perfeição não existe.
Esta instituição divulga no início do ano um cronograma de trabalho para todos com os principais eventos, que envolverão a todos. As reuniões, os seminários, as interações pela internet, as capacitações das equipes para melhorar, cada dia mais, a atuação destes funcionários.
Tudo muito bom, não? Ou melhor, quase tudo! O chefe maior não entende muito da empresa, mas está bem assessorado por todos os demais chefes e funcionários, que atuam há bastante tempo na área e têm conhecimento da sua profissão, da sua função.
Vamos começar agora a analisar ainda mais esta situação.
No decorrer do ano aquele planejamento inicial, aquele cronograma de trabalho vai sendo alterado. Importante replanejar, afinal todo planejamento precisa ser flexível, me diria você, leitor! Também acredito nisto! Quantas vezes, em nossa vida, revemos  nossas prioridades, nossos gastos, nossos planos e replanejamos!
Mas o que é importante em um replanejamento? A própria palavra nos traz indicações a respeito. Que ele ocorra antes da próxima ação, que todos sejam informados das mudanças com antecedência para que também replanejem suas atividades, suas prioridades, redefinam prazos, enfim, que respeitem os demais envolvidos nas atividades meio e fim da dita Instituição.
Nesta empresa não ocorria assim. As mudanças eram comunicadas na véspera. Compromissos envolvendo grande número de funcionários cancelados ou postergados no final da tarde do dia anterior. Novos eventos inseridos no cronograma da empresa ao sabor da vontade de um dos acionistas!
Vamos continuar imaginando?
Pensem também, que esta mesma instituição realiza acordos salariais com seus funcionários, que os mesmos são divulgados a todos, funcionários e comunidade em geral, que, com o passar de meses ou anos, estes acordos, legalizados, são esquecidos, mudados sem prévio aviso, mudados sem conversar com os envolvidos, ou melhor, sem ouvir todos os envolvidos.
Já ia esquecendo. Em toda empresa que se preze existem reuniões de trabalho, nas quais são discutidos problemas, propostas soluções, definidas responsabilidades, prazos, novas ações, nova data para avaliação. Como toda reunião existe uma pauta pré-definida, que gerará uma reunião objetiva e eficiente.
Nesta, nossa empresa/instituição imaginária, também existem reuniões. Muitas reuniões! De todo tipo! Com durações diversas, desde aquelas de uma hora, duas horas, cinco horas... Muitas delas não têm pauta divulgada aos funcionários. Muitas também não preveem a participação dos envolvidos, quando ela existe e se pedem sugestões, as mesmas não são adotadas. Ouve-se, registra-se, escreve-se, atas são elaboradas. Nas reuniões não se busca a objetividade, clareza nas informações, nas orientações.
Não. Não sou especialista em planejamento. Não tenho cargo de chefia. Nem quero ter! A despeito disto, leio, me informo, observo! Mesmo tendo estudado, boa parte de minha vida, em período, no qual não se falava em “formar o aluno crítico”, desenvolvi minha criticidade, assim como muitos da mesma idade.
Você conhece algo assim? Como seria trabalhar para esta instituição?
Não sabe? Imagine...

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Fugacidade da vida - singela homenagem ao Prof. Elvair Grossi

Nos últimos tempos tenho pensado muito na fugacidade da vida. No quanto corremos atrás do tempo para realizar as inúmeras atividades profissionais, acadêmicas, pessoais, bem como no quanto muitas vezes questionamos a utilização deste tempo, no qual priorizamos estes compromissos em detrimento de outros.
Que outros? Uma visita a um amigo, que mora em outra cidade, por exemplo. Um telefonema para um irmão, sobrinho, sobrinha, tio, primo, prima. Sim, telefonema. Além das palavras a voz, a fala é nosso diferencial. Foram milhares de anos de evolução para formularmos a linguagem, a fala. Atualmente optamos por escrever, como estou fazendo agora, mandar e-mail, mandar uma mensagem pelo whatsapp, do que falar com a pessoa.
Por que estou tratando disto?
Porque chega uma época, que eu não queria que chegasse, quando os tios que nos viram crescer, se vão, morrem, nunca mais os veremos e nem ouviremos suas risadas, seus conselhos, nem ganharemos um abraço.
Nesta mesma época, ou pouco tempo depois, vemos amigos, de adolescência e juventude, que também se vão. Um morreu afogado. O outro em um gravíssimo acidente entre um carro de passeio e uma carreta. Outro morreu de morte natural, ainda jovem. Passa um pouco mais de tempo, um pouquinho só, e vemos amigos da vida adulta nos deixando. Deixando repentinamente. Sem dar adeus, sem dizer tchau, sem um telefonema, sem um e-mail, sem uma mensagem de whatsapp...
Esta semana soubemos, nem sei como, da morte de um amigo, de longa data, vinte anos de amizade. Ótimo Professor. Atuou, por anos, na Educação Pública do Estado de São Paulo. Atuou em Universidades Particulares da região do ABC. Atualmente estava lecionando na FATEC Mauá. Escritor de vários livros da área da Linguística, da Semótica, livros infantis. Mestre. Doutor. Filho adorado por seus pais. Pessoa do bem. Bem humorado, inteligentíssimo!
Se foi. De uma forma tão inesperada. Foi picado por uma cobra em uma visita a um sítio de seus familiares. Ele que era um ser tão urbano. Que achava o interior do Estado bucólico demais para ele.
Até este texto tem  muito a ver com ele. Professor de Português, assim como eu, amante das palavras, da escrita. Além de tudo, amava sua Profissão, o Magistério. Profissão que escolheu. Não porque não tivesse talento para fazer outra coisa. Foi durante muito tempo funcionário da Rhodia, onde, se bem me lembro, chegou a fazer carreira e ter cargos de chefia.
Deixou uma carreira na área privada para realizar seu sonho: SER PROFESSOR!
Este menino poetinha, retratado no seu livro homônimo, queria ensinar, transgredir a forma como aprendeu, queria sonhar e semear sonhos, idéias e palavras.

Ao Prof. Elvair Grossi nossa singela homenagem póstuma.



sexta-feira, 3 de junho de 2016

Paisagem onírica

Desço a Serra. Aquela Serra, que antes era apenas uma Serra vista de um carro em movimento, em uma foto antiga. Tirada com uma analógica.
Hoje desci novamente. Como tantas outras vezes. Hoje, tempo úmido, vento frio, neblina forte, chuva, tímidos raios de sol. Assim mesmo! Esta alternância e confusão de temperaturas ao mesmo tempo.
À noite choveu em toda a região!
Vejo as cenas passando rapidamente pelo para-brisas. Rodovia tranquila. Pouquíssimos carros. Caminhão apenas um ou dois. A paisagem estava especialmente bela! Em alguns trechos parecia, que estava em Londres, tal a neblina que embotava minha visão, por segundos, minutos.
O verde que corria a minha esquerda, a minha direita e a minha frente era outro verde. Não mais aquele verde opaco, amarelado, sem graça do tempo seco.
O verde agora, quase um verde musgo, em nuances diversas, em texturas mil, ia se descortinando diante de mim.
Aqui uma grande plantação de eucaliptos plantados milimetricamente distanciados um do outro. Todos, quase todos, do mesmo tamanho!
Mais à frente um trecho de terra nua, aguardando o momento certo do plantio.
Uma casa simples, à beira da estrada, de onde sai a fumaça de um fogão à lenha, cujo fogo crepitava, espalhando calor e o cheiro do café, recém feito, saboreado vagarosamente pelo dono da casa.
Alguns quilômetros a mais e vejo as vacas, pastando, mesmo com a neblina fria, o ar gelado, o capim molhado.
Vejo também um tratorista solitário a trabalhar na margem da rodovia. Ou talvez se dirigindo a outra propriedade rural.
Mais quilômetros e vejo uma placa de madeira, na entrada de uma propriedade, onde se lê “Sítio Recanto dos Sonhos”.
Mais adiante a placa daquele bairro com nome engraçado. Bairro dos Bicudos. Será que todos os moradores são bicudos?
Outro trecho onde uma formação montanhosa se sobressai na paisagem parcialmente. Nuvens de neblina dançarinas circulam ao redor dela. Tal como as “Três Graças”.
A paisagem de hoje! Linda! Poética. Bucólica. Onírica.

Amanhã não será a mesma. Nunca mais será a mesma. 

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