domingo, 31 de maio de 2015

Saúde: direito de todos?

Esta semana, assistindo um jornal matinal, que traz novidades da capital e grande São Paulo vi as UPAs, que foram parcialmente construídas há um ano, dois, três ou mais, mas continuam sem ter a construção concluída e o funcionamento para atendimento aos usuários sem data definida. Os secretários da saúde, cobrados a responder, postergam a data e dão as mais variadas desculpas: não receberam o restante da verba do Governo Federal para concluir a construção; a verba prevista de manutenção da UPA pelo município é maior, do que as possibilidades da cidade, por aí vai...
Em um País onde a população carece de serviços médicos de todos os tipos, inclusive os mais básicos, um equipamento público fechado está negando um direito constitucional ao cidadão: o direito à saúde. Quem paga por isto? O que faz (deveria fazer) o Ministério Público a respeito? Que fazem os senhores deputados estaduais e federais? Quem deveria fiscalizar e não fiscaliza?
Paralelo a isto os funcionários públicos do Estado, em especial os da Educação, passam por situação parecida. Pagam religiosamente o tal do Iamspe, que deveria fornecer serviços de saúde aos usuários, conveniados, pois se trata de um convênio, mas ao necessitarem de serviço de saúde, recebem as seguintes respostas:
- em caso de consulta: não tem agenda aberta; a agenda abre em fevereiro e fecha em fevereiro; não tem cota do profissional médico para esta especialidade, neurologia, por exemplo.
- em caso de urgência, 10 senhas por dia, entregues as 8h00;
- em caso de emergência? Qual a resposta? Procure o SUS!
- em caso de exames, mesmo os de rotina, não tem vaga, tem enviam para o CEAMA de Bauru, ou querem te mandar para Sorocaba!
Para que tudo isto?
Para o funcionário público não usar os serviços a que tem direito, pois PAGA por eles TODOS OS MESES, assim não faz os exames, acaba pagando aos laboratórios e médicos particulares, cujas consultas por aqui custam de R$ 250,00 a R$ 300,00. Os exames? Dependendo do local pode ter uma diferença astronômica nos preços, podem variar, de R$ 100,00 a R$ 600,00, o mesmo exame!
O que mais se tem por aqui?
Tem um prédio, em uma área meio periférica do município, onde seria instalada um AME. Saiu a notícia nos jornais, apareceu a proposta em campanhas políticas e propagandas. Saiu? Não! O prédio está lá. A placa informando o que seria no local, continua lá, bastante deteriorada pelo tempo.
Em novembro de 2012 foi publicada no DOE a abertura de concorrência pública para reforma do citado prédio, conforme notícias de sites institucionais, que continuam disponíveis na internet.
Nesta mesma notícia estava a lista de especialidades, que os cidadãos teriam acesso na AME “O AME de ... atenderá em torno de 20 especialidades médicas, entre elas acupuntura, alergologia, cardiologia, dermatologia, endocrinologia, ginecologia; mastologia, neurologia, oftalmologia, ortopedia, urologia, entre outras. A unidade estará capacitada também para realizar cirurgias ambulatoriais e oferecer diversos tipos de exames de apoio diagnóstico, como audiometria; densitometria; eletrocardiografia; ecocardiograma; eletroencefalograma; endoscopia; mamografia; Raios X simples e contrastado; teste ergométrico; ultrassonografia Geral e Doppler, entre outros (veja lista completa a baixo).”
Em julho de 2013 mais notícias, agora até com um projeto do prédio, um croqui. Ainda informações sobre concurso para contratação de pessoal.
Como está esta questão? Não posso falar do hoje, mas no ano passado passei próximo ao local, da rodovia se podia ver o prédio, sem sinais de estar em obras, uma placa de propaganda do Governo, já bem detonada.
E as pessoas que teriam este atendimento de qualidade tão propagado nas campanhas eleitorais?
As pessoas, clientes, pagadores dos impostos se avolumam nos postos de saúde da cidade, na Unesp, que não dá conta de todos, pois atende as pessoas da cidade, da região centro oeste do Estado, outras regiões. Não bastasse isto, ao visitar a central de guias da citada Faculdade vê-se afixada em uma parede uma extensa lista de convênios “atendidos” pela Instituição.
Com o SUS houve algo interessante. Quem tem um pouco mais de anos de vida se lembra. Foi sendo sucateado, a dita classe média saiu, abriu-se a saúde para os Convênios. Como estão estes atualmente? Você paga, paga, paga, mas se ficar idoso, eles aumentam tanto o preço da mensalidade, que obrigam estas pessoas a sair do convênio na época em que mais necessitam de apoio à saúde.
Já tive convênio médico particular, que comecei a pagar, paralelo ao Iamspe, para ter atendimento na cidade e na região onde morava. No início era bom. Com o passar do tempo começaram a ir diminuindo os profissionais, clínicas e laboratórios conveniados. Passaram a negar atendimento para determinados exames, mudaram o tipo de plano, obrigando os antigos conveniados, que pagavam um valor considerado baixo, a sair.
Para terminar este texto, mas não encerrando a discussão, deixo um artigo da Constituição Federal de 1988 e uma questão para reflexão: o Estado está garantindo a toda população este direito fundamental?

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Primeira vez

Primeira vez. Certamente você já conhece esta expressão. Talvez já tenha respondido ou perguntado “Como foi sua primeira vez?”
Mas pergunto: primeira vez em quê?
Vivi algumas primeiras vezes. Participei das primeiras vezes de outras pessoas. Ficou confuso?
Explico.
Não vou falar especificamente as minhas primeiras vezes, mas das primeiras vezes, que vivi ao lado de pessoas muito queridas. O encantamento de cada uma delas ao vivenciarem primeiras experiências na vida.
A primeira vez de meus irmãos gêmeos em um grande parque de diversões, o Playcenter. Quando eles tinham 13 anos os levei para passar um domingo inteirinho neste parque. Eu não andei em quase nenhum brinquedo. Eles, ao contrário, andaram em todos, que conseguiram, até os mais radicais.
Anos mais tarde, já aos dezesseis anos aproximadamente, levei um deles a um museu de arte, a Pinacoteca. Ficamos praticamente uma tarde inteira andando lá e olhando as obras de arte: telas, esculturas, fotografias.
Certa vez levei minha sobrinha, uma delas, chamarei de Bela, ao cinema. Não lembro bem da idade dela, mas era pequena. Fomos assistir o desenho animado “Lilo & Stitch” da Disney, recém lançado. Quem se lembra deste desenho, sabe que a trilha sonora traz músicas do inigualável Elvis Presley, pois a Lilo era apaixonadíssima por ele e por suas músicas.
Certa vez retornamos ao cinema, novamente eu e esta mesma sobrinha, comentei com ela, que ela já deveria ter assistido muitos outros filmes no cinema, meio sem graça ela comentou que não, além de mim, só a irmã a havia levado ao cinema outra vez.
Esta mesma sobrinha levei à Bienal do livro, quando era ainda criança, mais tarde, por volta dos 17 anos, levei-a novamente, pois conheço a paixão dela pelos livros e pela leitura. Foi bom demais vê-la tão feliz olhando os livros, folheando, sentindo o cheirinho gostoso de suas páginas, escolhendo um especial, que dei de presente.
Há pouco tempo, neste ano, fui ao shopping com uma de minhas cunhadas e suas três filhas, logo, minhas sobrinhas. Uma delas queria, há tempos, andar no bate bate. Aqueles carrinhos, que têm nos parques, que a gente dirige e ficamos batendo uns nos outros, sendo que o impacto é diminuído devido a grossas borrachas, que possuem ao redor deles. Até o ano passado ela não podia ir, porque não tinha o tamanho especificado para isto. Uma vez ela ficou aos prantos olhando, do lado de fora da pista, enquanto eu e a irmã dirigíamos, brincávamos no tal brinquedo. Chegou a vez dela. Uma cirurgia de amígdalas depois, alguns quilogramas a mais no peso, uns centímetros a mais no tamanho e chegou o tão esperado dia! A alegria dela quando começamos a girar para lá e para cá no carro, batendo em um, outro, outro, mais outro... foi maravilhoso!
Por que lembrei destas experiências?
Porque, coincidência ou não, talvez elas tenham feito alguma mudança nestas pessoas, talvez o gosto por certas coisas já existisse nelas, mas precisasse ser despertado.
O meu irmão citado acima, atualmente adulto, continua gostando de visitar museus, tanto que sempre que tem oportunidade faz este tipo de passeio com a família ou em suas viagens acaba visitando estes locais.
Minha sobrinha, do filme da Disney, adora Elvis Presley até hoje! Continua ouvindo suas músicas! Ama ler também!
Nossos gestos, nossas palavras sempre provocam uma reação no outro. Talvez não de imediato, mas esta reação acontece.

O que estamos fazendo para provocar e receber o bem? Quais exemplos damos aqueles que nos rodeiam, em especial, às crianças? 

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