quinta-feira, 28 de março de 2013

O que fazemos ante uma folha em branco?


Talvez a observemos longamente, tal como o viajante olha a esfinge do Egito, que interroga a todos com a célebre frase “Decifra-me ou devoro-te!”.
Na infância, quando estamos nas séries iniciais, esta folha em branco amedronta, parece que faz sumir tudo que antes povoava nossos pensamentos, imaginação.  Alguém passou, nesta fase, pela atividade “descrição à vista de uma imagem”? A Professora segurava uma figura, grande, com uma cena, uma imagem, pedia para descrevermos, escrevermos, o que estávamos vendo. O que será que eu via? Não me lembro, mas lembro da Professora, nada simpática, segurando esta gravura, esperando enquanto nós, crianças, segurávamos os lápis, nossos olhos procuravam pelo silêncio da sala de aula as idéias que não vinham.

Muito mais tarde passei pela experiência do vestibular. Claro, tinha redação. Não me lembro o tema, nem o que escrevi, mas devo ter ido bem, porque na época passei em 13º lugar, no curso de Letras, para uma turma de 40. Nunca fiz cursinho. Terminei o ensino médio, fiquei seis anos sem poder estudar.
Há uns três ou quatro anos comecei a escrever, com mais regularidade, neste blog. Isto, o hábito, a meta que me impus de escrever pelo menos um texto por semana, me auxiliou a ficar mais atenta a assuntos, que poderia abordar aqui.
Claro que, em muitas ocasiões, me sento diante do computador, as idéias fluem tão rapidamente, que parece que o texto estava totalmente pronto, guardadinho em minha mente, apenas esperando o momento certo para desabrochar, se mostrar a mim e a todos os leitores.
Em outros momentos, me sento, olho a tela do PC, o “Word” aberto e a folha em branco, agora virtual, me observando, me indagando tal como a esfinge... O que faço? Corro com medo do imenso animal mitológico? Não! Encaro-a com o olhar firme, a cabeça e a mente abertas, as mãos prontas para sacar palavras, palavras, palavras e assim nascer mais um filho, mais um texto, que compartilharei com amigos reais, virtuais, desconhecidos, seguidores.
Os grandes escritores também passaram por estes momentos de inquietação, indagação, dúvidas sobre o ato de escrever.
Se você está lendo este texto agora, se perguntando “Como fazer para vencer esta barreira?”, deixarei abaixo alguns links de sites que trazem dicas e orientações para vencer a barreira de escrever, bem como outros autores que trataram deste tema. Não seja vencido pela folha em branco! Decifre-a!!!
Sites:

sexta-feira, 22 de março de 2013

Marcas na alma


Existem pessoas que marcam nossas vidas, seja por uma boa ação ou por uma não tão boa assim. Felizmente em minha jornada pela vida, que não é tão longa assim, encontrei mais pessoas boas, que de alguma forma me deixaram boas lembranças, marcas indeléveis, que ficaram na minha mente, no meu coração.
Poderia aqui, fazer uma lista destas pessoas, mas quero falar de uma pessoa especial, que em breve se aposentará, nosso convívio deixará de ser diário, mas a amizade continuará, tenho certeza.
Esta pessoa conheci em 2010, em uma situação profissional, inusitada para mim. Além de ser uma situação nova, a cidade era nova, poucos (quase nenhum) rostos conhecidos, me sentia estrangeira, meio perdida, além da falta da família, pois parte dela havia ficado em outra cidade, onde antes eu residia.
Nesta nova cidade, fui impelida a me inscrever para atuar na Supervisão de Ensino, uma das funções, que até o momento, nunca havia exercido, nem pensado em exercer, porque anteriormente trabalhava com formação de professores.
Quando abriram as inscrições para esta função, que ocorre no mês de agosto em todo o Estado, me dirigi até a Diretoria de Ensino no centro da cidade. Embaixo do braço muitos documentos, na cabeça muita esperança, desejo de conhecer esta atuação, que até então, acompanhava de longe.
Ela me atendeu, na sala contígua às demais salas dos Supervisores. Enquanto me atendia, com educação, paciência, urbanidade, fomos conversando. Falei que estava na cidade há pouco tempo. Que nunca tinha trabalhado como Supervisora, que estava saindo da sala de aula, que por estes motivos me sentia insegura com este novo desafio profissional. Imediatamente ela proferiu palavras de incentivo, que não precisava ficar preocupada, que o grupo de pessoas era legal, que me auxiliaram, o que de fato aconteceu.
Mas o que eu teria feito se não fossem estas palavras, este apoio, este incentivo desta pessoa? Não sei!
Devo muito a ela, por ter me ajudado em um momento difícil para mim. Momento de grandes mudanças em minha vida: mudança de cidade, mudança de local de trabalho, distância da família, que antes se reunia toda semana, saudades das sobrinhas, irmãos, cunhadas.
Hoje, quase três anos se passaram, mas este tempo não apagou de minha memória a cena deste encontro. O tempo passou, em breve, mais uma mudança. A vida é assim, feita de mudanças. Em breve esta pessoa viverá uma outra fase da vida, que desejo, seja de muita felicidade!
A você, Clotildes, meu muito obrigada!!!

quarta-feira, 20 de março de 2013

Luz ofuscante


Aqueles irmãos, como todos de sua época, cresceram ouvindo histórias nas rodas de conversa da família, ora ouvindo os tios, ora ouvindo avós. As conversas sempre aconteciam depois da “janta”, enquanto as mulheres lavavam as panelas, os homens e as crianças sentavam para jogar conversa fora.
Nessas horas as histórias eram muitas, da família, dos conhecidos, dos amigos, dos vizinhos, reais, fictícias. Podiam ser de assombração também! As crianças sempre ouviam e não perdiam um só detalhe, mas o problema era dormir depois das histórias de lobisomem, saci, mula sem cabeça e tantas outras. O risco era mijarem na cama de tanto medo ao menor sinal de sombras se movendo pela parede do quarto, iluminado apenas pela luz titubeante do lampião ou da lamparina, comuns naqueles tempos em que energia elétrica ainda nem era sonho nesse noroeste do Paraná.
E os irmãos? Filhos de italianos, também se casaram e foram morar com suas esposas onde? Na colônia do pai, onde cada filho tinha sua casa. As casas todas de madeira enfileiradas naquele pedaço de chão conseguido com tanto trabalho.  Nesse lugar, familiar, aconchegante, mas de muitas brigas, de muito amor, de algumas ameaças, mas de muito cuidado de uns com os outros, nasceram e cresceram dezenas de crianças, filhas desses casais.
Mas o que faziam essas pessoas nesse lugar distante? Sem civilização? Sem televisão? Sem novela?
Os homens saiam à noite para irem jogar bocha, jogar truco,  tomar uma branquinha, um vinhozinho, que ninguém é de ferro! As mulheres? A essas cabia cuidar das crianças, ora essa! Cabia também cuidar da casa: lavar roupa no riozinho distante, limpar a casa, “ariar” os alumínios (panelas, caldeirões, etc), dar comida pras galinhas, porcos... Já cansou? É, naquela época elas não conheciam essa palavra, porque além de tudo isso, trabalhavam na roça com seus esposos.
Mas falávamos dos irmãos. Esses, Orlando, Otávio, João Batista, Valentim também trabalhavam muito na roça, mas havia os momentos de lazer. Num desses momentos, numa noite, resolveram andar uns quilômetros até uma venda em um “patrimônio” próximo para jogar truco com uns amigos.
Era uma sexta-feira, 13 de junho, dia de Santo Antônio, que com certeza abençoaria a festa deles. Saíram cedo de casa, porque queriam aproveitar bem a noite. Andaram mais de uma hora, com passos largos, enérgicos. Caminhada de quilômetros que não parecia muito, porque havia muito o que conversar.
Chegaram no arraial, fizeram as duplas, e o jogo de truco pegou fogo! Tanto que não perceberam o adiantado da hora, quando olharam no relógio, era quase meia noite!
Resolveram queimar o chão. Fazer rastro. Ou seja: ir embora. Escolheram uma estradinha, dessas de terra, com muita plantação dos dois lados, ou mato dos dois lados. Olhavam pro céu, a lua se escondendo atrás das nuvens abundantes em noites de inverno, só ficava então aquela luminosidade pálida, que nem se podia dizer que iluminava.
Andaram, andaram, conversaram, conversaram, riram, andaram, andaram, riram. De repente o João Batista falou que precisava urgentemente tirar a água do joelho. Pararam no meio dessa estradinha, ficaram esperando enquanto o Batista, fazia suas necessidades. Ele, o Batista, lá, tranquilo, agachado, já procurando a folha de mamona. Passa a mão pra cá, passa a mão pra lá, até que achou as folhinhas salvadoras. Quando já estava se limpando, de repente olhou por cima da plantação e viu! Não acreditava! Fechou os olhos, abriu, esfregou os olhos... nada! Aquela coisa vinha vindo. Sem esperar, saiu correndo do mato, já com as calças erguidas, gritando “corram, corram”. Os irmãos se entreolharam, mas ninguém se mexeu. Acharam que fosse alguma brincadeira, afinal o Batista era um gozador. Ele continuava gritando “corram, seus bestas, vocês não estão vendo? Olhem pra trás!” Todos olharam por cima das árvores e viram aquela luz imensa, muito brilhantes, que vinha, não se sabe de onde, vinha sobrevoando tudo: mato, plantação, bicho, gente. Era como uma bola de fogo imensa, mas que não queimava, apenas brilhava, brilhava muito. O que era isso? De onde vinha? Ninguém nunca soube. O que se sabe é que cada um deles correu o mais que pode, chegou em casa esbaforido, sem ar, sem sangue no rosto, sem palavras, entrou correndo, fechou a porta, deitou na cama, com roupa e tudo, cobriu a cabeça com o cobertor, fechou os olhos com muita, muita força, tampou os ouvidos com as mãos, para só acordar no dia seguinte.lia, ora ouvindo os tios, ora ouvindo av

P.S. Homenagem aos quatro irmãos (Orlando, João Batista, Valentim, Otávio), que agora, jogam truco no céu...

sábado, 9 de março de 2013

Geração das crianças e adolescentes que mandam nos pais


No nosso cotidiano temos visto uma inversão de valores, inversão de papéis nas famílias, sejam elas compostas de mãe e filhos, pai e filhos, avó e netos, não importa a composição da mesma, mas o papel dela na vida das crianças e dos adolescentes.
Vemos crianças, cujos desejos, vontades são todos satisfeitos pelos pais ao menor sinal de choro ou de birra, seja em casa, no corredor de uma loja de brinquedos ou no corredor das guloseimas em um supermercado.
Vemos também adolescentes, que mandam eu seus pais, dizendo onde vão estudar, que roupa vão vestir, que corte de cabelo ou piercing, tatuagem ou cor de cabelo usarão, ou ainda com quem irão morar, se vão estudar ou não não...
Estes adolescentes criados desta forma saberão respeitar regras, normas na escola ou no trabalho? Saberão respeitar as normas da sociedade?
Nossa primeira convivência social acontece na família, posteriormente na escola, no trabalho. Se é na família que ela começa, quem deve iniciar a criança nas normas de convivência?
Atualmente as crianças e adolescentes fazem suas regras, vivem de acordo com elas, sem a interferência dos responsáveis legais por eles: os pais, a família. A maioria dos adolescentes dorme a hora que quer, pois ficam até altas horas assistindo a TV ou no computador acessando sites os mais diversos, nas redes sociais: Orkut, facebook, Formspring, e outros, além dos programas de bate papo, como MSN, skype... Quem acompanha o que veem, falam nestes espaços virtuais?
Quem define os horários de estudo da criança em casa? Sim, é preciso estudar na escola, durante as aulas, mas também estudar em casa, rever as matérias, reler textos, anotar dúvidas, estudar para provas, fazer exercícios, ler livros. Esta rotina de estudos em casa auxilia e muito a aprendizagem dos conteúdos a ser também realizada na sala de aula.
Se não existe esta rotina de estudos, o que acontece? Estamos vendo nos índices divulgados esta semana pelo site do Movimento Todos pela Educação: 10% dos alunos sabe o esperado em Matemática ao final do Ensino Médio, em Português não é muito diferente: 29%!
Mas voltemos aos adolescentes! Há diversos sites que tratam deste assunto, ou seja, filhos que mandam nos pais, que sendo subjugados, simplesmente obedecem a tudo. Estes pais (ou responsáveis) deixam, desta forma, de assumir seu verdadeiro papel: o de educar, impor limites, ensinar valores. As famílias onde isto acontece são chamadas de famílias disfuncionais.
Quem já não viu um adolescente com este comportamento? Ou uma criança?
Já vi crianças, no supermercado, chorando, gritando, quando os pais não querem comprar determinado doce ou brinquedo!  O que os pais fazem? Atendem! Atendem para evitar a gritaria, o escândalo, os olhos dos outros clientes... E se isto continuar se repetindo, o que estamos ensinando para a criança?
Você pode ler mais a respeito nos textos abaixo:


segunda-feira, 4 de março de 2013

Ler e conhecer o mundo e outros mundos


Relendo alguns documentos no computador, reencontrei um texto, uma carta. Uma carta que escrevi, em 2010, após uma visita na Bienal do Livro de São Paulo, de onde trouxe um presente, um livro, para uma aluna. Uma senhora que fazia aulas particulares comigo. Queria muito aprender a ler. Segundo as palavras dela “Eu não sei ler. Eu não entendo o que leio. Não consigo ler um livro, porque não entendo quase nada!”
Nossas aulas não tinham um plano definido, como era de se esperar, pois em sala de aula isto é necessário. Eu ia adaptando minhas aulas aos interesses dela, pois uma mulher adulta, trabalhadora, tinha necessidades diferentes de um adolescente.
Fui assim, tentando, aos poucos, testando, inventando, criando, recriando, buscando, desta forma, vencer a maior dificuldade da aluna: a certeza inabalável de que não sabia ler, que não entenderia os livros.
Usei vídeo filmagem para ela se ouvir lendo. Usei livro didático em alguns momentos. Em outros usei panfletos da loja dela. Usamos recibos. Ela escreveu pequenos textos. Lemos poemas. Notícias.
Entremeando tudo isto, quando sentia vontade, dava um livro aqui, outro acolá. O primeiro que dei, comprei na banca de revistas, não era evangélico, mas falava de Cristo, o grande mestre. Dei o livro, com um “bilhete”, digitado no computador, com palavras simples, que me vieram à mente. Foi muita emoção! Ela chorou, pois estava a ponto de desistir das aulas, disse que isto que eu fiz foi um sinal!
Neste dia, que comprei este livro para ela, comprei um para mim, que devorei. Comentei deste livro com ela. Contei brevemente parte da história, mas sem contar o final. Falei do autor, que eu conhecia desde a minha adolescência, do porquê ele escreveu o tal livro. O livro? Quase memória de Carlos Heitor Cony.
Quando dei o livro, que trouxe da bienal, Dias raros, de João Anzanello Carrascoza, ela também se emocionou, pelo simples fato de eu ter feito este carinho, dado este presente, ter pensado nela, enquanto me divertia na Bienal.
Cada um destes meus atos, destes livros teve respostas, inesperadas para mim. Mas como foram importantes e decisivas para ela.
O livro do Carrascoza trazia, entre os seus contos, um que falava de um menino de interior, que chega na cidade grande. Ela se identificou demais com esta história, com a descrição feita pelo autor. Me disse “Este livro fala da minha vida!”
O livro do Cony trouxe consigo uma promessa “Um dia eu vou ler este livro. A senhora me empresta?”
Claro, claro que emprestei. O resultado? Tempos depois, durante a leitura, ia me contando partes da história. Ao falar de cada parte comentava o livro, a linguagem utilizada pelo autor, as “minúcias” que ele descrevia ao falar de lugares, de pessoas, de sentimentos.
As aulas infelizmente foram descontinuadas devido a problemas de saúde de uma pessoa da família dela, bem como aos compromissos que assumiu em virtude desta doença.
Quais os frutos destas aulas? Consegui(mos) que uma pessoa que tinha medo de ler, lesse CINCO livros em menos de um ano. Que perdesse o medo paralisante de escrever.
Ainda a vejo, de vez em quando, nestes momentos vejo na sua mesa de trabalho sempre um companheiro. Um companheiro que a acompanha no trabalho, em casa: um livro!
Como diz o Cony no livro Quase memória “Fizemos grandes coisas hoje!”


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