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Mostrando postagens de Abril, 2011

José, paraplégico

Durante alguns anos trabalhei com alunos de quinta e sexta série, ainda bem crianças, dependentes do professor, alguns mais, outros menos, enviavam bilhetinhos, cartões de natal, lembrança do dia do professor. Era emocionante ver o quanto eles se transformavam do início da quinta série até o final da sexta, agora mais adolescentes, as meninas mais mocinhas, mais mulheres, os meninos também mudando, mas em ritmo mais lento. Professores que atuam com alunos dessa faixa etária, nem sempre têm o prazer de saber, como os docentes do final do ensino médio, o que cada jovem pretende fazer: casamento, filhos, profissão... Muitos deles nem se lembram dos professores do ensino fundamental, mas com o passar dos anos, nós, professores, sempre temos notícias de um ou de outro aluno: faculdade, emprego, casou, mudou de cidade, de país. Temos notícias boas, ruins, infelizmente. Uma delas martelou por muito tempo minha cabeça! Um deles, quietinho, tímido, poucas falas, poucos amigos, mas bom aluno. Sen…

Bebê abandonado e o Professor

Ontem assisti uma reportagem, mais uma, que mostra a falta de sentimentos, humanidade, amor de algumas mães do nosso País. 
Uma mulher, cuja ação foi filmada por uma câmera de segurança de algum prédio, aparece carregando algo, aproxima-se de uma caçamba cheia de lixo e entulhos, olha bem, acha um lugar, de costas para a câmera deixa o seu embrulho, o seu lixo, o seu entulho e vai embora, levando um pano nas costas, sai sem a menor pressa, sem (aparentemente) a menor culpa. Em seguida, aparece um coletor (catador) de reciclável que se aproxima da caçamba, dá uma olhada, dá um pulo para trás e não acredita no que está vendo... não acredita no que achou. Atônito com aquilo, sem saber o que fazer, sai correndo, vai até uma ESCOLA próxima e volta com um professor, que retira o embrulho (UMA CRIANÇA de uns 10 dias), coloca-o nos braços, sai correndo para a Escola. Lá, ajudado por uma docente, realizam procedimentos para reanimar a criança, enquanto aguardam o socorro. Por que estou contando i…

Esquadrilha da Fumaça cruza os Bons Ares e encanta população

A Cidade dos Bons Ares fez ontem 156 anos. Houve alguns eventos para comemorar esta data tão importante para os munícipes, entre eles o “Cruzando os Bons Ares”, que constou de atividades relacionadas aos ares, ao sonho mais antigo do ser humano: voar. Sonho de Ícaro e seu pai, Dédalo, que construíram asas com penas de aves coladas com cera, para com elas realizar o sonho humano: voar como os pássaros. Dédalo, antes do voo, orientou o filho “Voe, mas não chegue muito perto do sol, porque ele derreterá a cera.” Mas Ícaro, jovem, transgressor, embevecido com a beleza deste momento de liberdade, não obedeceu. O final todos conhecemos: a cera derreteu e o jovem e imprudente Ícaro morreu, após a queda vertiginosa.



Sabemos que esta história, conhecida por muitos, faz parte da mitologia Grega, tão antiga, quanto o sonho do homem. Sonho que habitava a mente privilegiada do gênio da Renascença: Leonardo da Vinci, que criou, desenhou várias engenhocas para voar e delas surgiram algumas bem conhec…

Massacre no Rio e Filhos de Políticos nas Escolas Públicas

Esta semana após o massacre de alunos em uma escola do Rio de Janeiro temos tido uma vasta gama de reportagens, que ficaram (ainda estão) repetindo à exaustão as imagens da escola, do assassino entrando na escola, das pessoas fugindo desesperadas, depoimentos de pais de alunos mortos e alunos sobreviventes contando mais detalhes daqueles instantes terríveis.



O que tudo isto causou? Em algumas escolas o pavor dos pais ou responsáveis que, se não o faziam (a maioria não faz), passaram a levar seus filhos, netos, sobrinhos na escola.


Além disto, o que mais?


O pânico destas pessoas, que pressionadas diariamente nos jornais nacionais, regionais, por estas imagens de uma verdadeira chacina, acabam sentindo como se isto fosse acontecer, o tempo todo, em todas as escolas do Brasil.


Além dos depoimentos dos familiares, são veiculados, claro, depoimentos das autoridades da Educação no município do Rio de Janeiro e do ministro da Educação, lamentando o fato, prometendo auxílio aos alunos, familiar…

Minhas propagandas prediletas - Parte 1

Todos nós quando pensamos em nossa vida passada, infância, adolescência, nos lembramos de coisas boas, fatos ruins; de cheiros e gostos que nos remetem à infância; de medos e tristezas, que nos levam as perdas de pessoas amadas, conhecidos queridos. Mas além de tudo isto, após o advento do rádio e da TV, temos as propagandas, que se tornaram (muitas delas) inesquecíveis, seja pela beleza, seja pela música que “grudou” em nossa cabeça, em nossa mente. Quais as suas preferidas? Do que se lembra? Qual propaganda o emociona? Qual delas o leva ao passado em um abrir/fechar de olhos? Eu tenho as minhas, claro! Quantas lembranças! São tantas emoções!!! Quer saber quais as minhas preferidas? Algumas são de empresas que nem existem mais, mas a lembrança, esta ficou. Isto quer dizer que o publicitário atingiu seu objetivo: fixar a marca na cabeça do cliente. Lembro-me bem de uma do Banco Nacional, na qual as crianças, vestidas com roupas de coral, se reuniam para cantar músicas natalinas e uma des…

A vida não espera

Esta semana passei diante de um prédio de uma Secretaria de Saúde, que tem abaixo do brasão, uma pichação dizendo “A vida não espera”. Já passei neste mesmo lugar outras vezes, já li esta frase outras vezes. Desta vez passei com mais calma, observei o estado do prédio, antigo, grande, venezianas igualmente altas, grandes, muitas portas, ocupando quase um quarteirão, abrigando dois órgãos relacionados diretamente à saúde da população. E esta frase pulsando ali “A vida não espera. A vida não espera. A vida não espera.” Mais uma vez nesta semana, como em outras de anos anteriores, novas notícias na tv mostrando o descaso com a saúde, em alguns Estados brasileiros, as notícias de sempre: desvio de verbas, mal uso do dinheiro público, profissionais da saúde mal remunerados, corredores cheios de macas com pacientes à espera de um atendimento digno, gente morrendo, criança morrendo, idosos morrendo, jovens morrendo. E a frase, provavelmente pichada por um jovem, dizendo, gritando “A vida não …