sábado, 26 de fevereiro de 2011

Aumento do salário mínimo e a Lei de Responsabilidade Fiscal

Esta semana assisti a um trecho das discussões sobre o aumento do salário mínimo, que estava em votação, acho que no Senado.



Interessante, em meio à votação, falas dos Deputados, quando um deles, ao votar, disse esta pérola “Que o valor do salário mínimo a ser votado era algo circunstancial”.


Fiquei pensando nos aumentos dados aos próprios parlamentares nos últimos anos, que acontecem e são votados rapidamente, sem se consultar se os cofres públicos (lembra a Lei de Responsabilidade Fiscal...) poderão pagar o aumento deles sem aumentar os impostos que nós, contribuintes, pagamos.


A última votação de aumento para o “Senhores Parlamentares representantes do povo” aconteceu no dia 15\12\2010, às portas do Natal, naquele período, que sabemos, a maioria da população está às voltas com as compras de natal, preocupados que estão com presentes, perus e castanhas, por isto a atenção para os destinos do país fica em segundo plano.


Mas o citado aumento equiparou o salário de Presidente da República, Vice-presidente, Ministros de Estado, Senadores e Deputados aos vencimentos recebidos pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal, ou seja, o equivalente a R$ 26.723,13. Uma bagatela, não. Mas isto não é tudo. Pior é que para votar os próprios salários, na surdina, estipulando os próprios valores, coisa que nenhum funcionário público pode fazer (mais uma vez... a Lei de Responsabilidade Fiscal), basta apenas que passe na votação nas duas casas do Congresso, sem nem mesmo a sanção do Presidente, por ser tratar de decreto legislativo.


Quando os funcionários públicos, sejam estaduais, municipais, (professores, lixeiros, enfermeiros, merendeiras, diretores de escola, etc...) fazem greve em busca de aumento salarial digno, recebem como resposta “Não podemos gastar mais do que X por cento em salários, pois temos que obedecer a.... Lei de Responsabilidade Fiscal”.


Mas que Lei é esta que impõe obrigações somente aos governos estaduais e municipais... Que Congresso é este que temos, cujos votos valem mais do que a vontade do Povo.


Já estão falando em aumentar o tempo de trabalho para aposentadoria de nós, contribuintes, cidadãos comuns. Mas e o tempo de quem se aposenta apenas trabalhando por um ou dois mandatos ou menos ainda por alguns dias. Temos aqui uma espécie de pirâmide, onde tem que se aumentar a base (nós, assalariados, pessoas normais, do povo) para pagar os cada vez mais polpudos salários e gordas aposentadorias para o topo da pirâmide: senadores, deputados, presidentes, vices, ex... tudo isto.


Enquanto o povo continuar se contentando com pão e circo, carnaval e futebol, trabalhar até os 65 anos ou 70 anos sem reclamar, continuaremos vendo os aumentos de salários às custas do dinheiro que sai a cada minuto de nossos bolsos, por meio dos impostos que pagamos.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Meu brinquedo preferido

Li em uma revista de Educação a pergunta “Qual era o seu brinquedo na infância?”. Esse questionamento me levou a “escanear” a minha memória em busca de recordações, que trouxessem à tona brinquedos, brincadeiras.
Lembrei-me de uma boneca de plástico, pernas e braços longos e finos, parecendo meninas na adolescência, cabelos longos, que por muito tempo guardei, mesmo ela tendo sido objeto de uma brincadeira de um dos irmãos mais velhos, que, boneca nova, escreveu-lhe na testa: Maria. Parecia que queria mostrar pra todos que a dona daquela boneca era eu. Chorei muito por isso!!!
Não, não era ela meu brinquedo preferido.
Lembrei-me também de várias bonecas pequeninas, com as quais ficava horas brincando, costurando roupinhas pra elas, vestindo-as cada momento com uma roupa diferente. Prenúncio de uma grande estilista? Não. Apenas influência de uma mãe costureira, auto-didata, que ajudava no orçamento doméstico costurando pra vizinhança.
Não, não eram elas o objeto de minhas brincadeiras marcantes da infância.
Também me veio à memória um fogãozinho, de plástico azul, onde cozinhava pras bonecas e pras minhas poucas amigas de infância. Quando o ganhei de presente de meu pai, fiquei muito frustrada, porque já tinha visto um outro, de alumínio, acho, pintado, bonito, com forninho que abria e fechava, com as panelinhas igualmente bonitas, mas fazer o quê! Acredito que fosse muito mais caro, por isso não ganhei, afinal meus pais estavam passando por dificuldades financeiras, doença na família, éramos quatro irmãos dando gastos.
Esse não era meu brinquedo preferido!
Gostava de todos eles, mas o que mais me recordo da infância não era um brinquedo, mas sim uma brincadeira comum, gostosa, que não custava nada! Brincar com água! Tomávamos banhos demorados dentro do tanque de lavar roupas, daqueles de cimento de duas partes, enchíamos de água, entrávamos, ficávamos por horas ali dentro, no sol, no calor, mas o corpo e a cabeça fresquinhos, sem problemas, sem responsabilidades, a não ser se divertir.
Além dessa estratégia, havia outra, mais natural ainda: tomar banho em dias de chuva. Ah! Parece que estou vendo, eu, criança, vestida apenas com um shortinho, camiseta, embaixo de uma bica de água que descia de uma das “cumeeiras” da casa de quatro águas. Aquela água limpinha, fria, gostosa, descendo aos borbotões por aquela bica, caindo sobre minha cabeça, massageando meus cabelos loirinhos, enquanto eu pulava de tão feliz! Raios? Trovões? Medo? Que nada! FELICIDADE! Esse era o sentimento que invadia todo meu ser.
Enquanto escrevo esse texto, ainda vejo aqueles dias quentes do Paraná, aquela chuva transparente, as vezes misturando sol e chuva, então era mais bonito ainda, os raios do sol perpassando as gotas generosas e límpidas das chuvas paranaenses.
Cresci. Sou adulta, mas essa brincadeira de criança ainda me chama, ou melhor, chama aquela criança feliz, do interior, que mora dentro de mim.

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